Confissões da Ruiva

2067 Words
E cá estou eu, no nosso apartamento, exatamente neste momento, trancada no meu quarto tentando não matar a Joice — essa desmiolada que não para de aprontar! Sério, como alguém consegue ser tão irritante e ao mesmo tempo tão indispensável? Não sei se rio ou choro... Vocês devem estar se perguntando por que eu tratei a Marina daquele jeito, e também por que eu fico tão chateada quando a Joice traz outras garotas para cá, né? Bom, em relação à Marina, elas tiveram um relacionamento há um ano. Só que não foi nada fácil. Marina sempre quis que a Joice fosse do jeito que ela queria, vivia mandando e tratando ela m*l. Mas o pior de tudo foi que ela traiu a Joice com um ex-namorado dela. Nunca vi minha maluquinha tão mal... Ela ficou completamente arrasada, sem ânimo para nada. Não foi fácil fazer a Joice superar tudo isso, porque ela realmente gostava da Marina de verdade. Ver aquela p*****a aqui em casa, depois de tudo que ela fez... Só de lembrar de como minha maluquinha ficou, meu sangue ferve. Não sei como ela ainda consegue disfarçar, mas eu não vou deixar barato. De uns tempos pra cá, comecei a sentir coisas diferentes em relação à Joice, sabe? De repente, ela começou a ficar mais interessante... Fico louca quando vejo outras garotas perto dela, e isso me incomoda demais. A gente vai juntas pra faculdade, e quando eu abraço ela na moto, meu coração dispara. Quando ela me abraça ou beija meu rosto, eu fico eufórica. E aquele perfume amadeirado dela... caramba, mexe comigo de um jeito que, uau! E quando vejo ela com aquela jaqueta de couro preta, as calças justas que ela usa, ou quando ela bagunça aqueles cabelos loiros... aí, caramba! Mas tem algo que, aí, caramba... Essas noites, eu levantei pra tomar água no meio da madrugada e encontrei ela na cozinha, só de calcinha e regata. Minha nossa senhora, o que foi aquilo? Foi como se o ar tivesse ficado mais pesado, meu coração acelerou, e eu não consegui tirar os olhos dela. O que são aquelas pernas, minha nossa? Fiquei até com um calor que não sei explicar... Era como se cada detalhe dela estivesse gritando pra mim, e eu não sabia pra onde olhar direito. Eu nunca tinha reparado em garotas antes. Nunca mesmo. Mas agora… agora eu não consigo tirar a Joice da minha mente. Ela tá em tudo. No cheiro do travesseiro, no som da risada dela ecoando no meu quarto, no jeito como ela segura meu braço quando atravessamos a rua. É estranho… E, ao mesmo tempo, tão natural. Como se sempre estivesse ali, mas eu só tivesse percebido agora. Não consigo deixar de reparar nela. No jeito como ela prende o cabelo quando está concentrada, no som da gargalhada escandalosa dela quando vê um vídeo i****a, no modo como me olha quando acha que não tô prestando atenção. E o pior — ou o melhor, sei lá — é que não consigo parar de me preocupar com ela também. Se ela dormiu bem, se comeu direito, se aquela garota da faculdade olhou pra ela de um jeito estranho. É tão louco começar a gostar assim da minha melhor amiga. Mas eu tô vivendo isso, sentindo na pele. E a verdade é que... talvez eu sempre tenha gostado. Só não tinha percebido. Às vezes me pego imaginando como é o gosto do beijo dela… Será que é doce, como os doces que ela vive escondendo pela casa? Ou tem aquele gosto de café com canela que ela adora tomar à tarde? E a pegada dela? Joice tem aquele jeito de segurar firme, como se quisesse proteger o mundo — ou destruir ele inteiro, dependendo do humor. Fico imaginando como seria sentir isso em mim. No toque, na pele. No arrepio que viria depois. Esses dias, ela falava alguma coisa animada sobre um projeto da faculdade, mas eu... Eu só olhava pra boca dela. Aquela boca rosada, com um contorno perfeito, que se mexia tão naturalmente… Não ouvi metade do que ela disse. Só conseguia pensar em como seria encostar os meus lábios ali. Quem sabe… Quem sabe um dia eu tome coragem e descubra o sabor do beijo dela. Talvez num daqueles nossos momentos de bobeira no sofá, ou numa madrugada qualquer em que tudo está em silêncio… menos meu coração. Descobrir o toque das mãos dela em mim… Ah, só de imaginar as pontas dos dedos dela deslizando pela minha pele, minha respiração já muda. Joice tem esse poder de me deixar sem chão, mesmo quando nem está tentando. E aqueles olhos… Verdes claros, intensos, penetrantes. Quando ela me encara sério por algo bobo que eu falei, eu fico toda atrapalhada. Ela nem imagina o efeito que causa. O sorriso maroto dela então… Aquele que vem acompanhado de uma piada i****a, mas que me faz rir e desejar beijar logo ali, no meio da risada. É nesse sorriso que moram as minhas fantasias mais ousadas… e os desejos que ando escondendo até de mim mesma. Então me deixa contar uma coisinha que eu fiz semana passada… Joice tinha ido passar o fim de semana na casa dos pais, e pela primeira vez em muito tempo eu fiquei sozinha no apartamento. O silêncio da casa sem as piadas, os passos apressados ou a voz alta da minha maluquinha me fez sentir um vazio estranho. Tentei disfarçar. Peguei aquele vinho que ela mesma me deu, ainda com o bilhetinho fofo grudado no rótulo: "Pra quando você precisar relaxar, ruivinha." Sorri sozinha e pensei: Agora parece um bom momento. Abri, me servi uma taça, coloquei uma playlist tranquila… E fui preparar um banho na banheira. A água quente subindo, o vapor tomando o banheiro, a luz baixa… me entreguei ao momento. Fechei os olhos e deixei a música me embalar, enquanto o vinho aquecia ainda mais meu corpo já envolvido pela água quente. Foi aí que, sem nem perceber, comecei a pensar nela. No quanto sentia falta do barulho que ela faz quando entra no quarto. De como ela sempre invade meu espaço com a cara mais natural do mundo. Do jeito como ela se joga no sofá como se fosse dona de tudo — e talvez seja mesmo, pelo menos da minha atenção. E ali, naquela água quente e silêncio cortado pela música e pelo vinho… Me dei conta de algo mais profundo. Não era só saudade. Era desejo. Um desejo que me arrepiou, que fez minha pele queimar mais do que o calor da banheira. Comecei a imaginar ela entrando no banheiro de repente, rindo da minha cara vermelha de vergonha, me olhando com aquele olhar sacana que só ela sabe fazer. Fechei os olhos e imaginei ela ali, ajoelhada ao lado da banheira, passando os dedos de leve na minha pele molhada, me chamando de ruivinha com aquela voz baixa que arrepia tudo. Quase deixei escapar um gemido só de imaginar. Foi a primeira vez que minha mente foi tão longe com ela… e depois disso, nada mais voltou ao lugar. Sai da banheira, ainda sentindo o calor da água no corpo, coloquei meu roupão macio e aconchegante. Com a taça de vinho na mão e a garrafa embaixo do braço, fui até o quarto da Joice, que fica bem em frente ao meu. Entrei devagar, tentando não fazer barulho, e fui direto até a mesinha de cabeceira. Acendi o abajur, aquela luz amarelada que deixa tudo mais acolhedor, e coloquei a garrafa de vinho ao lado. Com a taça ainda cheia, me sentei na cama dela, sentindo o colchão afundar sob meu peso. Bebi um gole daquele vinho delicioso, deixando o sabor doce e intenso preencher a boca. Depois, deixei a taça ao lado da garrafa, na mesinha. Deitei na cama, ainda vestindo o roupão, e me enrolei nos lençóis brancos. Então, um cheiro doce e amadeirado me atingiu: o perfume dela no travesseiro. Fechei os olhos e, por um instante, me perdi naquele aroma, tentando imaginar que ela estava ali, sentada ao meu lado, perto o suficiente para sentir meu calor. Na minha mente, ela deslizou a mão por dentro do meu roupão, devagar, fazendo meu coração disparar. Naquele momento, não consegui segurar a respiração, nem o desejo que me invadia. Abri os olhos lentamente, tentando voltar à realidade, mas aquela imagem ficou gravada em mim — a Joice, tão perto, tão real. E eu ainda me pergunto: será que algum dia terei coragem de mostrar para ela o que realmente sinto? Então, devagar, abri o meu roupão, sentindo o tecido deslizar pelos ombros, liberando o calor do meu corpo. Uma das minhas mãos começou a deslizar lentamente pela minha pele, como se fosse a Joice me tocando, explorando cada centímetro com carinho e desejo. Passei os dedos suavemente pelos meus s***s, sentindo o arrepio que aquela imaginação provocava. Com calma, deixei minha mão descer pela barriga, sentindo cada curva e contorno, até chegar ao ventre, onde o coração parecia bater mais forte, acelerado pelo misto de saudade e vontade. Cada toque era um suspiro silencioso que eu nem sabia que estava prendendo, e naquele momento, mesmo sozinha, o desejo por ela se tornava cada vez mais real, mais urgente. Fechei os olhos, imaginando o seu toque quente e firme, os seus dedos desenhando desejos que eu nunca tinha ousado sentir antes. Minha respiração ficou mais lenta, mas meu corpo não conseguia se acalmar. A imaginação parecia ganhar vida, e eu me deixava levar por cada sensação, pelo calor que crescia dentro de mim. Minhas mãos exploravam cada curva, cada ponto que ansiava por um toque real. Eu podia quase sentir a pele dela roçando na minha, seus dedos entrelaçando os meus, sua respiração quente sussurrando meu nome no silêncio do quarto. O coração batia forte, como se quisesse escapar do peito, e a vontade de ter ela ali, pertinho, era impossível de ignorar. Naquele momento, tudo que eu queria era esquecer o medo, as dúvidas, e simplesmente me entregar a esse desejo que crescia silencioso, mas poderoso. A noite parecia se estender, e eu permanecia ali, com os olhos fechados, imaginando o sabor do beijo dela, o calor do seu toque, a intensidade do que ainda estava por vir. Então comecei a me tocar, minha i********e levemente, explorando cada sensação que me invadia. A carícia lenta despertava um fogo silencioso, uma mistura de desejo e descoberta que nunca tinha sentido tão intensamente antes. O toque era suave, hesitante, como se cada movimento fosse uma conversa silenciosa entre o que meu corpo queria e o que minha mente ainda tentava entender. Meus pensamentos iam direto para ela — Joice — e para tudo aquilo que eu ainda não sabia, mas que meu coração já ansiava por experimentar. A cada instante, a linha entre imaginação e realidade parecia ficar mais tênue, me deixando envolvida numa vontade crescente, um misto de medo e fascínio. Quando me tocava, sussurrava o nome dela entre meus gemidos abafados, como se Joice pudesse me ouvir mesmo à distância. Imaginava suas mãos firmes e ao mesmo tempo carinhosas explorando cada parte do meu corpo, seus olhos atentos, cheios de desejo e cuidado. Sentia meu corpo responder ao simples pensamento dela — era como se ela estivesse ali, ajoelhada ao lado da cama, me observando com aquele sorriso malicioso que só ela sabia dar. Cada toque meu era uma fantasia onde ela tomava o controle, onde os nossos mundos finalmente se encontravam sem medo, sem barreiras. E no auge do prazer, foi o nome dela que escapou dos meus lábios, com o coração disparado e a certeza de que algo dentro de mim tinha mudado para sempre. Estou me sentindo um pouco m*l pelo que fiz semana passada — me tocando, imaginando ela, e pior ainda, na cama dela. Sério, aí caramba, que loucura! Essa mistura de sentimentos me deixa meio confusa, inquieta. Acho que vou tomar um banho agora, preciso me acalmar, aliviar essa tensão toda. E, de quebra, tentar esquecer que a Marina ficou aqui em casa... Isso me deixa com uma raiva que não passa. A água quente caindo na pele parece prometer um pouco de paz, enquanto eu tento organizar os meus pensamentos bagunçados. Será que um dia vou conseguir entender direito o que sinto pela Joice? Ou será que tudo isso vai me enlouquecer de vez?
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