E cá estou eu, trancada no meu próprio apartamento, exatamente neste exato momento, sentindo as paredes parecerem pequenas demais para a minha indignação. Estou trancada no meu quarto, andando de um lado para o outro, tentando desesperadamente não sair por aquela porta e matar a Joice — essa loira desmiolada que não para de aprontar uma atrás da outra! Eu juro, minha paciência com ela é um fio de cabelo que está prestes a arrebentar.
Sério, como alguém consegue ter o dom de ser tão irritante e, ao mesmo tempo, ser a pessoa mais indispensável da minha vida? É uma contradição que me consome. Não sei se eu sento na cama e dou risada do absurdo da situação ou se começo a chorar de pura frustração... porque a Joice tem esse poder sobre mim: ela me vira do avesso.
Vocês devem estar se perguntando lá, no fundo, por que tratei a marina daquele jeito tão hostil na cozinha. Devem estar tentando entender por que eu fico tão profundamente chateada, tão fora de mim, quando a Joice traz outras garotas para cá, não é? Bom, deixa eu explicar o buraco n***o que é a história com a Marina? Elas tiveram um relacionamento sério há cerca de um ano. Só que, de "relacionamento", aquilo não tinha nada de saudável. A Marina sempre foi uma pessoa controladora e manipuladora. Ela queria que a Joice fosse um molde perfeito do que ela imaginava, vivia mandando nas roupas dela, nas amizades, e tratando a minha maluquinha com um desdém que me doía na alma.
Mas o pior de tudo, o que realmente quebrou a Joice, foi que Marina a traiu da forma mais baixa possível, com um ex-namorado dela. Eu nunca, em todos esses anos de amizade, vi a minha Joice tão mal... Ela ficou completamente arrasada, murcha, sem ânimo para absolutamente nada. Foi uma sombra do que ela é. Não foi nada fácil fazer a Joice superar tudo isso, porque, por trás daquela marra toda, ela realmente gostava da Marina de verdade. O coração dela foi pisoteado.
Então, ver aquela p*****a aqui em casa hoje, agindo como se nada tivesse acontecido, depois de todo o estrago que ela fez... meu sangue ferveu de um jeito que eu não consigo controlar. Só de lembrar do estado em que a Joice ficou, eu sinto vontade de expulsar a Marina a vassouradas. Não sei como a Joice ainda consegue disfarçar ou ser minimamente educada, mas eu? Eu não vou deixar barato. Enquanto eu estiver aqui, aquela mulher não pisa mais no nosso chão.
Só que... tem algo mais vindo aqui de dentro. De uns tempos para cá, eu comecei a sentir coisas diferentes em relação à Joice, sabe? Coisas que eu nunca imaginei sentir pela minha melhor amiga. De repente, ela começou a ficar mais interessante aos meus olhos. Eu fico louca, possuída de ciúmes, quando vejo outras garotas chegando perto dela na faculdade. Isso me incomoda em um nível visceral, uma queimação no peito que eu não sei explicar.
A gente vai juntas para a faculdade todos os dias na moto dela. E quando eu subo naquela Harley, coloco o capacete e abraço a cintura dela para não cair, o meu coração dispara de um jeito que eu tenho certeza que ela consegue sentir nas costas dela. Quando ela me abraça espontaneamente no corredor ou beija o meu rosto para me dar bom dia, eu fico em um estado de euforia que dura o dia inteiro.
E aquele perfume amadeirado que ela usa... caramba, aquilo mexe comigo de um jeito que, uau! Fica impregnado na minha memória. E quando eu vejo ela com aquela jaqueta de couro preta, as calças jeans bem justas que ela gosta de usar, ou quando ela passa a mão e bagunça aqueles cabelos loiros curtos... aí, meu Deus, o meu chão some!
Mas teve um momento específico que... aí, caramba... eu não consigo esquecer. Nessas noites passadas, eu levantei para tomar um copo de água no meio da madrugada, achando que o apartamento estava mergulhado no silêncio. Acabei encontrando a Joice na cozinha, parada na frente da geladeira, vestindo apenas uma calcinha e uma regata branca. Minha nossa senhora, o que foi aquilo? Foi como se o ar da cozinha tivesse ficado pesado, denso. Meu coração acelerou a mil por hora e eu simplesmente não consegui tirar os olhos dela. O contorno das pernas dela sob a luz fraca... o que são aquelas pernas, minha nossa? Fiquei com um calor que subiu pelo corpo inteiro, algo que eu nunca tinha sentido antes. Era como se cada detalhe do corpo dela estivesse gritando para mim, e eu fiquei ali, paralisada, sem saber para onde olhar direito, morrendo de medo de ser pega no flagra.
Eu nunca tinha reparado em garotas antes. Nunca mesmo. Sempre me vi como hétero, mas agora… agora eu não consigo tirar a Joice da minha mente nem por um segundo. Ela está em tudo o que eu faço. No cheiro do meu travesseiro quando ela deita lá para conversar, no som daquela gargalhada escandalosa dela que ecoa pelo corredor, no jeito protetor como ela segura o meu braço quando vamos atravessar a rua. É estranho… e, ao mesmo tempo, parece a coisa mais natural do mundo. Como se esse sentimento sempre estivesse ali, escondido sob a pele, e eu só tivesse tido a coragem de perceber agora.
Não consigo deixar de reparar em cada detalhe dela. No jeito como ela prende o cabelo quando está muito concentrada em um projeto de arquitetura, no som da risada dela quando vê algum vídeo i****a na internet, no modo como ela me olha de soslaio quando acha que eu não estou prestando atenção. E o pior — ou o melhor, eu já nem sei mais — é que eu não consigo parar de me preocupar. Quero saber se ela dormiu bem, se comeu direito, se aquela garota da faculdade olhou para ela de um jeito estranho que possa magoá-la. É uma loucura total começar a gostar assim da própria melhor amiga, mas eu estou vivendo isso intensamente, sentindo cada pontada na pele. E a verdade é que... talvez eu sempre tenha gostado. Talvez o amor estivesse disfarçado de amizade esse tempo todo.
Às vezes, quando o apartamento fica em silêncio, eu me pego imaginando como seria o gosto do beijo dela… Será que é um gosto doce, como os doces que ela vive escondendo pela casa toda e acha que eu não vejo? Ou será que tem aquele gosto forte de café com canela que ela adora tomar no final da tarde? E a pegada dela? A Joice tem aquele jeito de segurar firme, com segurança, como se pudesse proteger o mundo inteiro nos braços — ou destruir ele, dependendo do humor dela. Fico imaginando como seria sentir esse toque em mim. Na minha pele. O arrepio que viria logo depois.
Esses dias, enquanto ela falava toda animada sobre um projeto da faculdade, gesticulando com as mãos, eu simplesmente me perdi. Eu não ouvi metade do que ela disse. Eu só conseguia olhar para a boca dela. Aquela boca rosada, com um contorno que me parece perfeito, que se mexia com tanta naturalidade… Eu só pensava em como seria encostar os meus lábios ali. Quem sabe… quem sabe um dia eu tome coragem e descubra, finalmente, o sabor real do beijo dela. Talvez em um daqueles nossos momentos de bobeira, jogadas no sofá, ou em uma madrugada qualquer onde tudo ao redor esteja em silêncio… menos o meu coração, que bate o nome dela sem parar.
Descobrir o toque das mãos dela em mim… Ah, só de imaginar as pontas dos dedos da Joice deslizando pela minha pele, minha respiração já muda de ritmo. Ela tem esse poder absurdo de me deixar sem chão, mesmo quando não está nem tentando. E aqueles olhos verdes claros, intensos, que parecem ler a minha alma? Quando ela me encara sério devido a alguma bobagem que falei, eu fico toda atrapalhada, perco o fio da meada. Ela nem imagina o efeito devastador que causa em mim. E o sorriso maroto dela? Aquele que vem acompanhado de uma piada i****a, mas que me faz querer rir e beijá-la logo ali, no meio da gargalhada. É nesse sorriso que moram as minhas fantasias mais ousadas e os desejos que eu ando escondendo até de mim mesma.
Então, deixa eu contar uma coisinha que fiz na semana passada, algo que eu ainda não tive coragem de contar para ninguém... A Joice tinha ido passar o fim de semana na casa dos pais, e pela primeira vez em muito tempo, eu fiquei completamente sozinha no nosso apartamento. O silêncio da casa, sem as piadas dela, sem os passos apressados ou a voz alta da minha maluquinha, me fez sentir um vazio estranho, um buraco no peito. Tentei disfarçar a solidão. Peguei aquele vinho que ela mesma me deu de presente, que ainda estava com o bilhetinho fofo grudado no rótulo: "Para quando você precisar relaxar, ruivinha."
Sorri sozinha, sentindo um carinho imenso, e pensei: "Agora parece um bom momento". Abri a garrafa, me servi de uma taça generosa, coloquei uma playlist bem tranquila para tocar… e fui preparar um banho na nossa banheira. A água quente subindo, o vapor tomando conta do banheiro, a luz baixa… eu me entreguei totalmente ao momento. Fechei os olhos e deixei a música me embalar, enquanto o vinho aquecia o meu corpo por dentro, já envolvido pelo calor da água por fora. Foi aí que, sem nem perceber, comecei a pensar nela.
Pensei no quanto eu sentia falta do barulho que ela faz quando entra em um cômodo. De como ela sempre invade o meu espaço pessoal com a cara mais natural do mundo, como se eu fosse dela. Do jeito como ela se joga no sofá como se fosse dona de tudo — e, para ser sincera, ela é dona de toda a minha atenção. E ali, naquela água quente e no silêncio cortado apenas pela música e pelo efeito do vinho… eu me dei conta de algo muito mais profundo. Não era só saudade de amiga. Era desejo. Um desejo visceral que me arrepiou a espinha, que fez a minha pele queimar mais do que o próprio calor da banheira.
Comecei a imaginar a Joice entrando no banheiro de repente, rindo da minha cara que com certeza ficaria vermelha de vergonha, me olhando com aquele olhar sacana e viciante que só ela sabe fazer. Fechei os olhos com força e imaginei ela ali, ajoelhada ao lado da banheira, passando os dedos de leve na minha pele molhada, me chamando de "ruivinha" com aquela voz baixa e rouca que arrepia até o último fio de cabelo. Eu quase deixei escapar um gemido só de imaginar a cena na minha cabeça. Foi a primeira vez que a minha mente foi tão longe com ela… e depois disso, eu sinto que nada mais voltou ao lugar original dentro de mim.
Saí da banheira sentindo o calor da água ainda pulsando no meu corpo, coloquei o meu roupão mais macio e aconchegante. Com a taça de vinho em uma mão e a garrafa debaixo do outro braço, eu caminhei até o quarto da Joice, que fica bem em frente ao meu. Entrei devagar, como se estivesse cometendo um crime, tentando não fazer barulho mesmo estando sozinha. Fui direto até a mesinha de cabeceira dela. Acendi o abajur, criando aquela luz amarelada e acolhedora que deixa tudo com um ar de segredo. Coloquei a garrafa de vinho ali do lado.
Com a taça ainda cheia, me sentei na cama dela, sentindo o colchão afundar sob o meu peso. Bebi um gole longo daquele vinho delicioso, deixando o sabor doce e intenso preencher toda a minha boca. Depois, deixei a taça ao lado da garrafa. Deitei na cama dela, ainda vestindo o meu roupão, e me enrolei naqueles lençóis brancos que ela usa. Foi então que um cheiro doce e amadeirado me atingiu em cheio: o perfume dela impregnado no travesseiro. Fechei os olhos e, por um instante, me perdi completamente naquele aroma, tentando imaginar, com todas as minhas forças, que ela estava ali, sentada ao meu lado, perto o suficiente para eu sentir o seu calor real.
Na minha mente fértil, ela deslizava a mão por dentro do meu roupão, devagar, com os dedos quentes fazendo o meu coração disparar como um tambor. Naquele momento, eu não consegui mais segurar a respiração, nem o desejo avassalador que me invadia. Abri os olhos lentamente, tentando voltar à realidade, mas aquela imagem da Joice — tão perto, tão palpável — ficou gravada a fogo em mim. E eu ainda me pergunto, com um medo enorme: será que algum dia eu terei a coragem de mostrar para ela o que eu realmente sinto?
Então, bem devagar, eu abri o meu roupão, sentindo o tecido deslizar suavemente pelos meus ombros, liberando todo o calor do meu corpo. Uma das minhas mãos começou a deslizar lentamente pela minha própria pele, mas na minha cabeça, eu fingia que era a mão da Joice me tocando, explorando cada centímetro do meu corpo com um misto de carinho e desejo. Passei os dedos suavemente pelos meus próprios s***s, sentindo o arrepio imediato que aquela imaginação provocava. Com calma, deixei a minha mão descer pela barriga, sentindo cada curva e cada contorno, até chegar ao meu ventre, onde o meu coração parecia bater com mais força, acelerado pela saudade e pela vontade imensa de ter ela comigo.
Cada toque era acompanhado por um suspiro silencioso que eu nem sabia que estava prendendo. Naquele momento, mesmo estando sozinha naquele quarto, o desejo por ela se tornava cada vez mais real, mais urgente, mais impossível de ignorar. Fechei os olhos novamente, imaginando o toque quente e firme da mão dela, os dedos da Joice desenhando desejos na minha pele que eu nunca tinha ousado sentir antes de conhecê-la de verdade.
Minha respiração ficou mais lenta, pesada, mas o meu corpo não conseguia se acalmar de jeito nenhum. A imaginação parecia ganhar vida própria, e eu me deixava levar por cada sensação, pelo calor que crescia e se espalhava dentro de mim. Minhas mãos exploravam cada curva minha, cada ponto do meu corpo que ansiava por um toque real dela. Eu podia quase sentir a pele da Joice roçando na minha, os dedos dela se entrelaçando aos meus, a respiração quente dela sussurrando o meu nome bem baixinho no silêncio do quarto dela.
O meu coração batia tão forte que eu sentia que ele queria escapar do peito, e a vontade de ter ela ali, pertinho de mim, era uma dor física. Naquele momento, tudo o que eu mais queria no mundo era esquecer o medo da rejeição, esquecer todas as minhas dúvidas sobre ser hétero ou não, e simplesmente me entregar a esse desejo que cresceu silencioso dentro de mim, mas que agora é uma força poderosa. A noite parecia se estender para sempre, e eu permanecia ali, de olhos fechados, imaginando o sabor exato do beijo dela, o calor do toque e a intensidade de tudo o que continua por vir entre nós duas.
Então, eu comecei a me tocar, lá embaixo, na minha i********e, bem de leve. Fui explorando cada sensação nova que me invadia. A carícia lenta despertava um fogo silencioso, uma mistura de desejo e descoberta que eu nunca tinha sentido com tamanha intensidade em toda a minha vida. O toque era suave, quase hesitante, como se cada movimento fosse uma conversa secreta entre o que o meu corpo pedia e o que a minha mente ainda tentava processar.
Meus pensamentos iam direto e sem escalas para ela — Joice — e para tudo aquilo que eu ainda não sabia sobre o amor, mas que o meu coração já gritava para experimentar. A cada segundo que passava, a linha entre a minha imaginação e a realidade parecia ficar cada vez mais fina, me deixando completamente envolvida em uma vontade crescente, um misto de medo do desconhecido e um fascínio absoluto por ela.
Quando eu me tocava, eu sussurrava o nome dela entre os meus gemidos abafados contra o travesseiro, como se, de alguma forma mística, a Joice pudesse me ouvir mesmo estando a quilômetros de distância. Eu imaginava as mãos dela, firmes e, ao mesmo tempo tão carinhosas, explorando cada parte de mim. Imaginava os olhos dela atentos, cheios de um desejo que eu nunca vi em ninguém, mas que eu sonhava encontrar nela. Sentia o meu corpo inteiro respondendo ao simples pensamento da presença dela — era como se ela estivesse ali, ajoelhada ao lado da cama, me observando com aquele sorriso malicioso e encantador que só ela sabe dar.
Cada toque meu era uma fantasia onde ela tomava finalmente o controle de tudo, onde os nossos mundos se encontravam sem medo, sem barreiras, sem preconceitos. E no auge do meu prazer, foi o nome dela que escapou dos meus lábios com força, com o coração disparado e a certeza de que algo dentro de mim tinha mudado para sempre naquela noite.
Agora, neste exato momento, eu estou me sentindo um pouco m*l, sabe? Me sentindo culpada pelo que eu fiz na semana passada — me tocando, imaginando a minha melhor amiga, e o que é pior: fazendo isso na cama dela, nos lençóis dela. Sério, aí caramba, que loucura eu cometi! Essa mistura de sentimentos de culpa e desejo me deixa meio confusa, inquieta, sem saber como agir quando eu olhar para ela daqui a pouco. Acho que vou tomar um banho agora, preciso desesperadamente me acalmar, tentar aliviar toda essa tensão acumulada. E, de quebra, tentar apagar da memória que a p*****a da Marina esteve aqui hoje... Isso me deixa com uma raiva que simplesmente não passa.
A água quente caindo na minha pele parece ser a única promessa de um pouco de paz, enquanto eu tento, em vão, organizar todos esses meus pensamentos bagunçados. Será que um dia eu vou conseguir entender direito o que eu realmente sinto pela Joice? Ou será que todo esse desejo escondido vai acabar me enlouquecendo de vez antes que eu tenha coragem de falar a verdade?