Anos depois
A vida tem suas idas e vindas, e hoje estamos voltando pro nosso lugar de origem.
-Serena, você vai fazer muitas amizades no colégio novo, você vai amar! Eu estudei nele!- Tereza se virava para encarar a filha que estava olhando para a paisagem.
-Pelo jeito essa escola deve ser velha!-Serena zombou da mãe que já não era novinha.
-Filha, antes estou pensando em te levar no psicólogo, sei lá, cidade nova, pedi uma ida ao psicólogo.-Tereza lhe disse um tanto pensativa.
-A senhora quer dizer terapia?
-Isso !
-É incrível a forma que vocês falam como se eu não tivesse aqui.-Jeremy ajeitou seus óculos escuro.
***
-Olá, Andrew!, cadê seu irmão?-A senhora mais velha caminhava até a poltrona que Andrew estava sentado.
- Minha mãe achou melhor que a gente viesse separadamente, em horário diferentes!-O mais novo cruzou seus braços.-Daniel fica muito emotivo quando fazemos regressão juntos, ele vai entrar depois de mim.
-Entendi!-A mulher anotava algumas coisas em sua caderneta.-Tome isso!
Ela lhe entregou um copo com suco integral de uva que lembrava muito um vinho.
-Porque esse suco toda vez que venho fazer regressão?-Andrew perguntou um tanto desconfiado.
-Esse suco te ajuda a lembrar do passado, preparado?
-Sim!-Andrew virou o copo de suco, e deixou o copo descartável cair no chão.
Ele se encostou na poltrona fazendo ela se inclinar. Madalena falou algumas palavras que fez o mesmo entrar em um estado de sono profundo.
- Eu quero que você se lembre de quem foi em sua segunda vinda a terra, em sua primeira vinda já sabemos que você era o Juan, e que era obsecado por Miranda. Admiro muito você não ter nenhuma namorada até agora, será que você está a espera da Miranda?
-Sim, eu estou a espera da Miranda!-Ele estava inconsciente, ele não sabia do Andrew, estava ali para falar do Marty.-Eu fui um homem perverso, fiz coisas das quais não me arrependo.
-Você poderia me contar?-Madalena se sentou em uma cadeira próxima a poltrona.
Caminhava em um acampamento, eu era obsecado pelas mulheres da família dela, não havia dado certo com a Andrea o que tem de mais tentar algo com a Ina? Além da idade ela tinha um namoradinho i****a que se achava o super herói.
De repente tudo aconteceu rápido, eu estava fugindo da situação que eu havia criado, mas depois de um tempo eu apareço no mesmo lugar e reencontro Ina, porém ela ajudou a dar cabo na minha vida, eu e ela não tivemos uma vida juntos em nenhuma das minhas vidas, ela me odiava, eu só queria amor mas só recebia ódio.
Na verdade a gente tinha um romance na minha primeira vida só que eu abusava dela, mas ela era uma v***a que me traia.
-Mas quem é Ina e Miranda, são as mesma pessoas?
-Sim, foi com Miranda que tive meu primeiro contato. Eu era o Juan, tivemos nosso segundo contato em outra vida, na verdade tive contato com a mãe dela depois com ela, a Ina. Nesse segundo contato eu me chamava Marty, não tivemos relações nem nada do tipo, eu era bem mais velho que ela.
-Vocês tiveram contato nessa vida? -Madalena passou seu dedo indicador sobre a testa de Andrew.
-Ainda não nos encontramos.-Ele tinha uma expressão completamente relaxada.
-Acho que em breve vocês iram se encontrar, espero que esteja preparado, e que vocês venham a dar certo, ou como amigos ou casal.-A mais velha estralhou seus dedos que fez Andrew abrir seus olhos na hora.
-Muitas descobertas doutora?-O rapaz se levantou da onde estava deitado.
-Irei te mandar tudo para aquele seu e-mail que criamos, como você sabe o que acontece aqui fica entre mim e você, não é coisa que acho legal da sua mãe saber, ela é muito protetora e convenhamos que aquela proteção dela iria estragar nosso progresso.
-Certo!-Ele se despediu da doutora com um até mais e saiu do consultório.
Ao sair do consultório se deparou com Daniel próximo a porta, até parecia que estava bisbilhotando.
-Tava ouvindo atrás da porta, Zé ruela?-O mesmo tinha um ar de deboche.
- Eu não! Agora é minha vez?
-Sim!-E deu licença pro irmão passar.-Eu vou ir indo, você não importa em ter que voltar pra casa de uber, né?
-Não! Ate gosto de voltar sozinho despois dessas regressões.
Ambos se despediram e Daniel adentrou no consultório da doutora.
-Como tem passado, Daniel?-Madalena tirou sua atenção do notebook, havia acabado de escanear tudo que havia escrito no papel, a respeito da regressão do Andrew, ela apertou enter e direcionou aquele arquivo para o email do Andrew.
-Está ocupada?-Daniel adentrou mais o consultório meio que sem jeito.
- Não, acabei de enviar o conteúdo da regressão do seu irmão para ele, sabe? O que sempre faço com vocês ao final da regressão.
-Entendi.-Daniel caminhou até a poltrona que Andrew estava mais cedo.-Posso?
-Claro!-Madalena se levantou aonde estava sentada.
A mesma se direcionou até o pequeno frigobar que havia ali em seu consultório, pegou um copo descartável sobre o frigobar e de dentro dele tirou uma caixinha de suco de soja de morango, que era bem doce e suave, para ela o Daniel estava reencarnado pela primeira vez como Daniel, mas em outra regressão ela havia descobrido poucas coisas sobre quem havia sido ele, seu antigo nome era Feliphe.
-Por que sempre esse suco?-O rapaz se ajeitou na poltrona, assim que Madalena lhe entregou o copo com suco.
-Porque esse suco desperta quem você foi!
A mais velha fez sinal para que Daniel bebesse todo aquele suco.
Daniel bebeu todo o suco em poucos goles e em seguida entrou em um estado de hipnose.
- Eu nunca fui bom com amores.
-Porque diz isso, Feliphe?
- Eu só fiz besteira! Meu carma nessa vida é ser filho da mulher que me causou muitas decepções. Eu sei que é só o corpo dela, mas eu queria poder reencontrar Miranda novamente!
-Mas e a Jade?
- Eu nunca amei ela! Era obsessão, puro capricho.
-Vou te contar uma coisa, você jura que Daniel não irá se lembrar disso, Feliphe?
-Jura é muito forte, o máximo que posso fazer é prometer!
-Certo, Marty está a procura de Miranda também, um de vocês dois vão encontrar ela primeiro, então quem a encontrar primeiro respeite a vez do colega.-Madalena tentou ser amigável.
Feliphe sorriu de uma forma sedutora, como se fosse um desafio encontrar a Miranda.
-Por mim tudo bem...
-Você se lembra de mais coisas na sua antiga ?
- Eu era muito feliz, tinha o Jimmy que era um grande parceiro, ele era meu tio mas eu o considerava como amigo, pela idade.
-Esse tal de Jimmy já morreu?
-Não, já tive sensação de ter reencontrado ele. Ele tem um filho alguns meses mais novo que eu! Ele e a mulher dele são nossos padrinhos.
-Jimmy desconfia de quem você seja?
-Ele não desconfia de nada, quem deve desconfiar é minha mãe.-Os olhos do rapaz se abriu, as lágrimas começaram a escorrer.
- Eu tenho uma regra, quando meus pacientes começam a se emocionar devo acorda-los.-A mesma aproximou seus dois dedos próximos da orelha do Daniel e os estralou.
O mesmo voltou a si na mesma hora, ele nunca entendia do motivo de terminar aquelas regressões chorando.
-Quando começa suas aulas?-Madalena queria o distrair.
-Bom, hoje é sábado. Minhas aulas começam segunda-feira.-O rapaz se levantou da poltrona.
- Eu irei mandar o conteúdo da regressão pelo seu email, certo? Quando sua mãe lhe perguntar como foi, diga que não se lembra muito bem, e que eu encaminhei o conteúdo da regressão para o email dela pois seu e-mail está r**m.
-Certo, Mada!
***
Tereza adentrava em sua nova casa segurando suas malas, seus móveis já estavam ali.
-Meu quarto já está montado?-Serena se direcionou até as escadas.
-Já, seu quarto foi o primeiro a ser mobiliado!-Jeremy respondeu com um pouco de dificuldade carregando umas caixas com ferramentas.
Serena sem dizer nada subiu para o andar de cima, ela queria conhecer seu novo quarto.
Não foi difícil encontrar o quarto assim que ela chegou no andar de cima, na porta do seu quarto estava sua plaquinha escrita NÃO INCOMODE!
Ao entrar em seu quarto ela simplesmente adorou, a decoração estava do seu gosto, uma parede era lilás e as outras eram brancas.
A cama estava bem no centro do quarto, a mesma revirou os olhos antes de encostar a cama em uma das paredes.
-Prontinho, agora está perfeito!
Ela se deitou na cama porém se levantou quando ouviu um barulho em cima da sua cabeça, era como se tivesse algo no forro do seu quarto.
Ela se caminhou para fora do seu quarto e olhou o final do corredor, no final do corredor havia uma escada que levava ao sótão, a mesma sem pensar duas vezes subiu até lá.
Por incrível que pareça a porta de lá estava aberta, ao entrar lá ela se surpreendeu que seus pais haviam providenciado a limpeza dali, ela continuava a ouvir barulho de coisa andando.
Peguei o cabo de vassoura que estava próximo da porta e quando vi o bichinho caminhando taquei a vassoura nele, era um rato, aquilo poderia me passar alguma viroses.
Ao me aproximar do "rato" já morto, levei um susto ainda maior, não era rato, era hamister.
Me aproximei do bichinho e cutuquei a barriga dele com meu dedo indicador, o que fez espirrar sangue pro meu rosto.
Peguei o hamister em minha mão e sair dali o mais rápido possível, antes de me livrar do corpo dele, fui pro banheiro limpar meu rosto.
Ao me olhar no espelho, passei meu dedo indicador sobre os locais atingido pelo sangue do pobre animal, só então sorri.
Eu nunca havia passado sangue de animal no meu rosto, cutuquei o pequeno animal já morto para pegar mais sangue dele, ao passar no meu rosto era bizarra a forma que eu me sentia mais viva, em seguida liguei a torneira e passei água sobre meu rosto para remover o sangue, peguei uma toalha de rosto da cor branca e sequei meu rosto, não me importava em deixar o sangue do animal ali, se minha mãe perguntasse ia dizer que é meu batom.
Peguei o hamister e o embrulhei no papel higiênico, só assim o jogando no lixo do banheiro.
Me caminhei para fora do banheiro e ouvi vozes no andar de baixo, na certa eram vizinhos dando boas vindas.
Ao chegar no andar de baixo meu pai me encarou de cima a baixo e me fez uma pergunta inesperada.
-Filha, você viu algum hamister perdido aqui em casa? Essa aqui é a Betty, dona de um hamister muito arteiro que gosta de visitar casas alheias.
Era engraçado a forma que meu pai infantilizava sua voz para falar com crianças, uma vez eu ouvi ele infantilizando sua voz na hora H com minha mãe, confesso que não achei aquilo nada sexy, mas quem tem que gostar é minha mãe não eu.
Sai dos meus pensamentos com uma cara de pervertida, como sabia da minha cara? Certo, podia me ver no reflexo dos óculos escuros da mulher mais velha que estava com a menina.
-Não vi nenhum hamister, pai!-Menti, não ia falar o que eu tinha feito.-Como ele era, digo, como ele é, pequena?
Aquela era eu, com culpa do cartório porém amável.
-É cinza, dá pra confundir com rato, mas ninguém nunca confundiu...
Certo, eu o matei achando que era um rato, só passei seu sangue sobre meu rosto porque vi que não era rato.
-Betty, eu prometo que se eu o encontrar irei te avisar!-Passei minha mão sobre o rosto da menina.-Aproposito, me chamo Serena!
Havia criado uma certa sintonia com aquela menina, como se a gente se conhecesse de outra vida.
O que Serena não sabia era que Betty havia feito parte da sua vida passada. Ele era a reencarnação de Karina.
A menina se despediu de Serena e Jeremy com um aceno, Serena ficou a encarando até ela sumir de sua vista.
-Vamos pedir, pizza?-Jeremy perguntou pra sua filha assim que ela se sentou no sofá.
Quando a menina pensou em responder seu pai ouviu um berro no andar de cima, era Tereza berrando seu nome.
-O que você fez?-Jeremy arregalou seus olhos.
-Só sujei a toalha de rosto com meu batom.
A garota se levantou do sofá e foi até sua mãe no banheiro.
-Serena, tem algodão nas gavetas pra você tirar sua maquiagem!-Tereza balançava a toalha de rosto no ar.
-Desculpa, mãe!-A mesma encarou suas unhas.
-O que seu pai está fazendo?-A mais velha desconversou.
-Íamos pedir pizza, mas você surtou!
- Vai lá com ele, não deixa ele escolher de queijo, só o cheiro faz meu estômago revirar.-A mesma fez cara de nojo.
-Certo!