Prólogo

435 Words
Benjamin Rollins Eu tinha oito anos quando meu pai se casou com Olívia. Ela era uma imigrante recém-formada em gastronomia, com sonhos grandes demais para o pouco que carregava nas mãos. E junto dela veio Amanda. Uma pirralha de dois anos, com cabelos vermelhos, joelhos sempre machucados e uma mania irritante de segurar meu dedo como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Eu gostava de Olívia. E amava minha irmãzinha. Pelo menos era isso que eu pensava. Porque crianças não entendem o peso das promessas que fazem. Elas não sabem que dizer "eu vou cuidar de você" pode se transformar em uma prisão anos depois. Eu ensinei Amanda a ler. Ensinei a andar de bicicleta. Fiquei acordado durante tempestades porque ela tinha medo dos trovões. Fiz curativos nos joelhos dela e assisti desenhos que eu já odiava antes mesmo de terminar o primeiro episódio. Eu era apenas um garoto tentando ser um bom irmão. E então ela cresceu. E eu passei a odiar a mim mesmo. Anos depois. Eu não conseguia tirá-la da minha cabeça. E isso me transformou no pior tipo de pessoa que eu conhecia: alguém que tinha medo dos próprios pensamentos. Eu repetia todos os dias que ela era minha irmã. Que era família. Que eu era o responsável por protegê-la. Mas quanto mais eu tentava convencer minha mente, mais meu corpo parecia me trair. E o pior de tudo? Eu estava começando a acreditar que ela fazia de propósito. Que aqueles abraços demorados, aquela necessidade constante de estar perto, aquele jeito de me procurar para tudo… não eram apenas coisas de uma irmã mais nova. Eu precisava sair. Então, assim que tive idade suficiente, eu praticamente fugi de casa. Faculdade. Apartamento. Distância. Qualquer coisa que me desse uma desculpa para não voltar. Mas eu sempre voltava. Natal. Ano novo. Férias de verão. Todos os anos. E todos os anos Amanda conseguia ser ainda mais impossível de ignorar. Mais velha. Mais confiante. Mais parecida com uma pessoa que eu não deveria enxergar daquela forma. Não. Eu não pensaria nisso novamente. Eu prometi. Só que lá estava eu, estacionando o carro na garagem dos meus pais. Talvez ainda desse tempo de ir embora. Talvez eu pudesse inventar uma desculpa. Mas não dava. Dois meses. Sessenta dias sob o mesmo teto que ela. E no final do verão, eu ainda teria que levar a pirralha comigo para Nova York. Porque esse era o meu papel. O irmão mais velho. O protetor. O homem que nunca deixaria Amanda sozinha. Mesmo quando a única pessoa de quem eu precisava protegê-la era eu mesmo.
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