O silêncio no quarto 104 do hospital era pesado, cortado apenas pelo bip rítmico e baixo dos aparelhos que monitoravam os sinais vitais da Pietra. Eu estava sentado na poltrona ao lado da cama hospitalar, com os cotovelos apoiados nos joelhos e os olhos fixos nela. Ela parecia tão pequena deitada ali, com o rosto ainda pálido, a expressão cansada de quem tinha enfrentado um turbilhão nas últimas horas, mas os olhos castanhos dela mantinham aquela teimosia que me tirava do eixo. A minha mão direita, pesada e calejada do cano do fuzil, estava apoiada na lateral do colchão, perto dela, mas sem nenhum toque. Não existia romance entre nós, nunca existiu. Eu não era homem de declarações e nem ela era minha namorada, mas ela estava sob a minha responsabilidade e, no meu mundo, o que está sob a mi

