O asfalto começou a ficar para trás à medida que a gente se distanciava dos acessos da Rocinha. Eu fui cortando os carros na Linha Vermelha, costurando o trânsito com a precisão de sempre, mas com a mente totalmente focada na guria segurando a minha cintura na garupa. Quando ela me passou o endereço da kitnet dela, imaginei que seria um lugar simples, normal de quem tá batalhando na pista. Só que, conforme fui entrando no bairro que ela falou, comecei a sacar a realidade da guria. Aquilo ali não era favela. Na favela tem ordem, tem respeito, tem a disciplina que a gente impõe para morador poder andar de cabeça erguida a qualquer hora da noite. Ali era aquela parte do Rio que é largada pelo governo e esquecida por Deus. Um asfalto esburacado, calçadas quebradas, lixo acumulado nas esquina

