O relógio da meiota marcava quase sete e meia da manhã quando eu finalmente cruzei a barreira principal da Rocinha. O morro já estava naquele ritmo de sempre: mototaxi para lá e para cá, morador descendo para trabalhar, o comércio abrindo as portas e o cheiro de café fresco misturado com a maresia do Rio de Janeiro. Subi a ladeira principal no sapatinho, sem pressa, sentindo o cansaço do cansaço da madrugada bater no corpo. Estacionei a moto na garagem da minha casa, desativei o alarme e entrei. A casa estava vazia, aquele silêncio bizarro de quem mora sozinho. Fui direto pro meu quarto, joguei a mochila em cima da cama e tirei aquela roupa do asfalto que estava cheirando a cigarro do boteco debaixo da casa da Iris. Entrei no banheiro e tomei um banho rápido, só para tirar a craca e termi

