O sol das nove e meia da manhã já estava castigando o asfalto da Rocinha, deixando aquele mormaço pesado que subia do chão e fazia a pele clarear de suor na primeira caminhada. Eu estava encostado na parede de uma das biroscas perto da base da alta, com um copo de café americano na mão e o rádio transmissor estalando na cintura a cada dois minutos com os moleques passando a visão da pista. O morro estava calmo, naquele ritmo de começo de dia, com morador descendo para trabalhar, kombi buzinando e o movimento da boca engrenando devagar. Eu dava o último gole no café quando o rádio deu um chiado mais alto, cortando a frequência geral com a voz do menor que estava plantado na contenção da barreira lá embaixo, perto do acesso principal da pista. — Ô, Rato! Na escuta aí, paizão? Visão aqui da

