63 - RATO

2516 Words

A noite já tinha caído pesada sobre a Rocinha. Depois que a gente jantou um papo reto, sem neurose, o clima na kitnet de cima ficou mais calmo e nós dois subimos para o segundo andar. Cada um foi pro seu canto tomar um banho para tirar a nhaca do dia. Eu entrei no meu chuveiro, deixei a água quente bater na carcaça e tentei clarear a mente, mas o pensamento não saía daquela loira. Agora eu estava aqui, deitado na minha cama de casal, só de bermuda tactel, encarando o teto de gesso. O quarto estava um gelo, no maior conforto, com o ar-condicionado ligado no talo, estalando no dezenove graus para espantar o calorão do Rio de Janeiro. A cabeça parecia uma engrenagem maluca, rodando a mil por hora. Eu pensava na situação da Iris, na covardia que aquele moleque da Pedreira fez com ela e no

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD