A casa finalmente ficou em silêncio depois que o Rato desceu o morro para levar a loirinha embora. Eu continuei parado na sala, ouvindo o ronco da meiota dele sumir pelas vielas da Rocinha, e respirei fundo, tentando desanuviar a mente de toda aquela neurose da noite anterior. Passei a mão pelo pescoço, sentindo o peso do dia que já estava cobrando a conta, mas não dava para amolecer. No meu posto, o foco tem que ser total, o tempo todo. Só que agora a minha prioridade não estava na pista, estava no andar de cima. Subi os degraus de mármore da escada devagar, cuidando para não fazer barulho com o chinelo, e caminhei pelo corredor até a porta do quarto onde a Pietra estava hospedada. Dei duas batidinhas de leve na madeira antes de empurrar a porta, só para não assustar a guria. — Pietra?

