27 - AMANDA

1530 Words

O silêncio dentro do meu barraco na parte alta da Rocinha era sufocante, quebrado apenas pelo barulho dos meus próprios passos duros contra o piso de cerâmica barata. Eu andava de um lado para o outro na sala pequena, sentindo o meu peito subir e descer numa velocidade que parecia que o meu coração ia rasgar a minha pele. Eu estava bufando de ódio, o ar saindo quente pelo nariz, as minhas mãos fechadas em punho com tanta força que as unhas postiças de fibra de vidro — aquelas que eu tinha gastado uma fortuna para colocar na pista — chegavam a entrar na carne da minha palma, machucando. — Que ódio! Que ódio daquele desgraçado! — gritei sozinha, pegando uma almofada de pelúcia rosa do sofá e jogando com tudo contra a parede de tijolo rebocado. A almofada bateu e caiu no chão, exatamente com

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