RUSSO - ERA DONO

1912 Words

O relógio do celular marcava quase duas horas da manhã quando eu despertei no susto. Meu corpo agiu por puro instinto de sobrevivência, aquele reflexo de quem vive na guerra: sentei na cama com o coração batendo na garganta, a mão tateando o colchão atrás da pistola antes mesmo de abrir os olhos direito. Mas aí a minha mente estalou e eu lembrei da Pietra. Um barulho estranho, meio abafado, vinha lá do final do corredor. Levantei da cama num pulo só. Atravessei o corredor escuro em dois passos largos, a neurose apitando alto na minha cabeça. — Pietra? — chamei, com a voz grave rompendo o silêncio da madrugada. Entrei no quarto de hóspedes e vi a porta do banheiro escancarada, com a luz acesa. O cenário me deu um nó no peito. A Pietra estava caída de joelhos no chão frio, curvada em cima

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