O barulho da chuva já tinha virado um chuvisco fino batendo na janela quando meus olhos abriram. Olhei pro teto de reboco malfeito da kitnet, meio perdido, sem entender direito onde é que eu estava. Minha mente de cria do morro demorou uns cinco segundos para processar o cenário. Eu não estava no meu quarto na Rocinha, não estava no camarote da boca e nem na atividade da pista. Olhei para baixo e foi aí que a ficha caiu por inteiro. Eu estava deitado embaixo daquela p***a daquele edredom rosa de florzinha. E o mais bizarro: eu não estava sozinho. A Iris estava colada em mim de um jeito que parecia que a gente se conhecia a vida inteira. Os cabelos loiros dela estavam todos espalhados pelo travesseiro, um monte de fio cobrindo o rosto da guria, exalando aquele cheiro de flor fresca que já

