A luz do quarto 104 já estava completamente amarelada, vinda dos abajures embutidos na parede, criando um clima acolhedor que nem parecia o de um hospital. Eu estava com as costas bem apoiadas nos travesseiros, sentindo o calor do corpo do Russo bem ali do meu lado, sentado na beira da cama. A presença dele, enorme e imponente, me trazia uma sensação de segurança que eu não sentia há muito tempo. Minhas mãos tremiam um pouco enquanto eu segurava o celular de última geração que ele tinha acabado de me dar. O plástico da película nova brilhava sob a iluminação. Digitei o número da minha mãe devagar, com o coração parecendo uma bateria de escola de samba dentro do peito. Eu não falava com ela há alguns dias; o Breno tinha quebrado o meu chip antigo numa crise de ciúmes na semana passada para

