O barulho do motor da moto ecoava pelas ruelas conforme subíamos em direção ao topo do morro. Eu segurava firme na cintura do Rato, sentindo o vento da comunidade bater no meu rosto e, pela primeira vez em muito tempo, aquela sensação de sufocamento no peito parecia estar dando uma trégua. O Russo tinha nos liberado e a promessa de proteção da Rocinha agora era o meu escudo. Quando ele finalmente parou a moto, percebi que a casa dele ficava bem próxima à do Russo, numa parte alta e bem posicionada do morro. Olhei para a fachada e, assim que o Rato girou a chave e nos empurrou para dentro, meus olhos se arregalaram de leve. A sala era ampla, extremamente limpa, com móveis modernos, uma TV enorme na parede e uma decoração que eu honestamente não esperava de um homem que vivia no meio daquel

