Desci o morro rasgando as vielas com o carro, a mente estalada e o sangue fervendo. O sol das dez horas já estava castigando o asfalto da Rocinha, mas o clima na favela estava frio, daquele jeito esquisito de quando o morro sabe que o chefe está com a mola encolhida, pronto para dar o bote. Estacionei o carro de qualquer jeito, subindo com duas rodas na calçada perto da principal, e bati a porta com força. Caminhei direto para a base da boca de fumo. Os moleques do plantão estavam todos agrupados na contenção, de fuzil atravessado no peito, rádio no pescoço e cara de poucos amigos. Assim que me viram embicar na viela, vindo da direção onde eu tinha largado o carro, a postura de todos mudou na hora. Postura de estátua. — E aí, chefe... — um dos cabeças do plantão tentou puxar o cumpriment

