26 - RUSSO

1749 Words

O relógio de parede do quarto 104 já marcava mais de nove horas da noite quando afastei a minha mão da barriga da Pietra. O cansaço, que até agora estava anestesiado pela adrenalina do crime e pela fúria contra a covardia do Breno, bateu com tudo nas minhas costas. Senti os meus olhos pesarem, aquela ardência nítida de quem estava na pista sem dormir há mais de trinta horas, virado no rádio transmissor, no cheiro de pólvora e na neurofe de segurar o morro. Olhei para a Pietra, que parecia mais calma depois de falar com a mãe, com os olhos castanhos ainda meio úmidos, mas com uma expressão de paz que ela certamente não tinha há meses. Me levantei da beira do colchão devagar, ajeitando a jaqueta de couro preta no corpo e estalando o pescoço. — Papo reto, boneca... Eu vou ter que meter o pé

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