Fiquei ali parado no meio daquela kitnet abafada, segurando o corpo da Iris contra o meu peito por mais alguns minutos. O choro dela, que antes era aquele desespero alto que rasgava a garganta, foi diminuindo aos poucos, virando apenas um soluço baixinho, cansado. Mas ela não me soltava. As mãos dela continuavam firmes, agarrando o tecido da minha camiseta de time com uma força bizarra, como se o mundo lá fora fosse desabar se ela se soltasse de mim por um segundo sequer. Eu continuei no mesmo ritmo, com a mão espalmada nas costas dela, sentindo a textura da camiseta cinza por cima daquela cicatriz que o cuzão da Pedreira tinha deixado. Minha mente de sub da Rocinha estava trabalhando na velocidade da luz, calculando cada passo que eu precisava dar. Eu não sou moleque de pular etapa. No

