24 - BRENO

1231 Words

O quarto de fundo da casa da Ana cheirava a mofo e a cigarro barato. As paredes de tijolo cru estavam úmidas, e a única luz vinha da tela trincada do celular que eu segurava contra o ouvido, com o corpo encolhido em cima de um colchão de solteiro jogado no chão. Eu estava trancado ali desde o amanhecer, com o estômago embrulhado de ódio e a adrenalina fritando a minha mente. O morro inteiro tinha virado contra mim por causa daquela garota. Aquela desgraçada da Pietra tinha conseguido o que queria: me colocar como o vilão da Rocinha e me jogar para escanteio. — Alô? Cleitin? Tá me ouvindo, c*****o? — joguei a voz num sussurro tenso, olhando para a fresta da janela de madeira para garantir que ninguém na rua estava de olho na casa. — Pô, Breno... tô ouvindo, irmão. Mas fala baixo que o bag

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