61 - RATO

1268 Words

Estacionei a meiota na calçada em frente ao galpão principal da Rocinha e desliguei o motor. A favela estava naquele ritmo de sempre: som de funk tocando baixo ao fundo, motoboys passando e os moleques do plantão fortemente armados nas esquinas. Apoiei a moto no descanso e olhei para a Iris. Ela desceu da garupa meio sem jeito, ajeitando a mochila nas costas e puxando a barra da camiseta cinza para baixo, tentando se encolher. Dava para ver nos olhos claros dela que o nervosismo ainda estava ali, mas ela confiava em mim. Pulei da moto, parei do lado dela e estiquei a minha mão direita. Ela hesitou por meio segundo, mas segurou firme, entrelaçando os dedos gelados dela nos meus. Começamos a caminhar em direção à entrada do QG. No meio do caminho, um vapor do plantão novo, que estava enc

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