O relógio da parede já marcava quase oito horas da manhã quando o silêncio do quarto 104 foi cortado pelo pior som que eu já ouvi na vida. O monitor cardíaco, que vinha mantendo aquele ritmo lento e sossegado, começou a apitar acelerado, numa frequência doentia: bip-bip-bip-bip. Olhei para a cama num reflexo e vi os olhos da Pietra se escancarando, cheios de uma névoa de pavor. Ela deu um sobressalto bizarro na cama, o corpo todo travando, e soltou um grito rasgado, agudo, que ecoou pelas paredes do quarto. — Não! Para! O meu filho não! Breno, pelo amor de Deus! — ela berrava, a voz saindo rouca, desesperada, enquanto ela tentava jogar as pernas para fora do lençol, debatendo-se sem rumo, cega de terror. Levantei da poltrona num pulo só. Minhas botas pesadas bateram no piso e eu avancei

