Passaram-se quarenta minutos intermináveis. O tique-taque do relógio na parede da recepção parecia ecoar dentro da minha cabeça, cada segundo pesando toneladas. Eu estava ali, estático, quando as portas duplas finalmente se abriram. O médico de plantão saiu, limpando o estetoscópio, com um semblante tranquilo que fez o meu coração, por um breve segundo, voltar a bater no ritmo normal. Ele passou os olhos pela sala de espera vazia e fixou em mim. — Responsável pela paciente Pietra? — ele chamou. Levantei de um salto, o corpo todo tenso. — Sou eu. Sou o pai — respondi, sem nem pensar, a frase saindo natural como se fosse a única verdade do mundo. O médico deu um meio sorriso compreensivo. — Pode ficar tranquilo, o susto passou. Ela e o bebê estão bem. Esses episódios acontecem às vezes

