59 - BRENO

1028 Words

Ajeitei o colarinho da camisa, sentindo o rastro do perfume barato da Ana grudado no meu pescoço. Fechei a porta da casa dela sem fazer barulho e entrei no carro, batendo a porta com força. O asfalto do Rio de Janeiro estava queimando, mas a minha mente estava mais quente que o motor dessa p***a. Eu sabia muito bem o que estava fazendo. O PCC estava louco para fincar a bandeira de vez no Rio, comendo pelas beiradas, e a Pedreira era o bunker deles. O meu plano era perfeito, cirúrgico: eu ia entregar a Rocinha de bandeja para os caras. Ia derrubar o Russo da liderança e, de quebra, ia pegar a Pietra de volta para mim. Aquela mulher ia aprender a me respeitar na marra. Pisei fundo no acelerador e rachei direto para a Zona Norte. Quando cheguei nos acessos da Pedreira, o clima mudou na hora.

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