O relógio digital na parede do quarto marcava quase dez horas da manhã quando o silêncio da ala médica foi quebrado pelo barulho das botas do Russo se arrastando pelo piso. Eu estava com os olhos fixos nas duas fotos do ultrassom que o doutor Marcelo tinha me dado, segurando o papel térmico contra o peito com a minha mão esquerda, que era a única que se movia. A minha princesinha estava ali, salva, mas o medo de o mundo desabar de novo ainda fazia meu peito doer a cada respiração por causa das costelas quebradas. Russo se levantou daquela poltrona de couro preta onde passou as últimas horas me vigiando como se fosse um escudo vivo. Ele ajeitou a postura, esticou os braços cheios de tatuagem e limpou o suor da testa, me olhando com aquela cara fechada de homem que comanda o crime, mas que

