O sol da manhã seguinte nasceu estalando na laje, mas o meu humor continuava preto, puro carvão. Acordei com o corpo pesado, aquela ressaca de ódio que deixa a boca amarga e a mente trabalhando no setenta por cento. Não consegui dormir direito de jeito nenhum. Toda vez que eu fechava os olhos, vinha a cara do Russo no meu pensamento, a voz de trovão dele me esculachando na boca, e as risadinhas abafadas daquele bando de moleque de menor com o fuzil na bandoleira. A vergonha arde mais que o tiro, irmão. No crime, se tu perde a marra, tu perde tudo. E eu não ia ficar por baixo de jeito nenhum. Logo cedo, peguei o meu short jeans desfiado, calcei o meu chinelo da Kenner e desci para comprar um misto quente ali na padaria perto da principal. O morro de manhã é um formigueiro de fofoca, e eu t

