58 - RATO

1306 Words

O choro da Iris rasgava o silêncio da kitnet e cada soluço daquela menina batia no meu peito como se fosse um tiro de sete-meia-meia. Quando ela levantou a barra daquela camiseta cinza larga e me mostrou as costas, o meu mundo de cria de favela deu um solavanco. A cicatriz era feia, comprida, um rastro grosso e repuxado cruzando a pele branquinha dela. Aquilo ali não foi um acidente; aquilo foi maldade pura, covardia de quem quis marcar a guria como se ela fosse um bicho. Passei a ponta do meu dedão calejado na borda daquela marca e o meu sangue ferveu de um jeito que eu não sentia há anos na pista. O ódio subiu da sola do pé até a cabeça, travando a minha mandíbula. E quando ela soltou o vulgo do desgraçado... aí o quebra-cabeça fechou com chave de ferro. O Holandês. O Vinícius. Aquele

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