O dia clareou lá fora e os primeiros raios de sol começaram a cortar as frestas da janela da recepção. No relógio de parede, os ponteiros já marcavam quase seis horas da manhã quando ouvi o barulho de passos lentos vindo do corredor principal. Levantei o rosto das mãos na mesma hora. Era o Dr. Marcelo. Ele vinha tirando os óculos, com uma cara de cansado, mas o semblante estava mais calmo. Ele olhou para os lados, viu que a recepção estava vazia e caminhou direto na minha direção, limpando o suor da testa com o jaleco. — Russo... — ele me chamou baixo, mantendo o respeito. — Chefe, o caso foi complicado, patrão, mas conseguimos estabilizar a menina. Respirei fundo, sentindo um peso de uma tonelada sair das minhas costas, mas continuei com os olhos fixos nele, esperando o resto do relató

