57 - IRIS

2397 Words

O calor do corpo do Rato estava colado ao meu, a pressão do peito dele contra o meu me encurralando contra a parede de reboco. Quando ele disse, com aquela voz grossa e cortante de quem manda e desmanda na Rocinha, que sentia o cheiro da mentira de longe, meu mundo desabou por completo. Ele me chamou de mentirosa. Ele lembrou de como eu fui firme na barreira do morro e cobrou o motivo de eu estar parecendo uma vara verde dentro da minha própria casa. Aquilo foi o meu limite. A barreira que eu tinha construído com tanto esforço para parecer forte desmoronou. As lágrimas que eu estava tentando engolir transbordaram de uma vez só, quentes, borrando a minha visão e molhando as minhas bochechas. O choro veio com um soluço sufocado que doeu no peito. — Sai... por favor, me dá um espaço — pedi

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD