O ódio que eu já guardava daquele moleque estava cozinhando em banho-maria há meses, mas tem dia que o demônio acorda com vontade de traçar o destino do cara. Eu estava subindo a viela principal da Rocinha com o Rato e o China, vindo de uma reunião pesada na parte baixa do morro. Passava das duas da manhã. Quando a gente empurrou a porta de ferro da entrada do QG principal, a primeira coisa que bateu na minha cara não foi o vento do ar-condicionado, foi uma risada alta, estridente, misturada com um bafo desgraçado de uísque barato e o som de roupas se rasgando no meio do corredor que dava para a minha salinha de negócios. Estreitei os olhos na penumbra do corredor e o sangue subiu para a minha cabeça na mesma hora, fervendo a duzentos graus. Lá estava o Breno. O fuzil dele jogado no chã

