O relógio de parede da cozinha marcava quase nove horas da manhã quando eu finalmente consegui me sentar à mesa. O sol de inverno do Rio de Janeiro entrava timidamente pela janela de vidro, iluminando a kitnet silenciosa. Eu segurava uma xícara de café preto quentinho entre as mãos, deixando o vapor esquentar meu rosto, mas a minha mente insistia em viajar para algumas horas atrás. Ainda parecia um sonho que eu tinha acordado daquele jeito. Olhei para o lado vazio da cama e uma sensação morna subiu pelo meu peito. Eu realmente tinha dormido abraçada com o Rato. Levei a gola da minha camiseta larga até o nariz e puxei o ar; o cheiro dele — uma mistura marcante de perfume importado caro, sabonete e aquele toque de homem — ainda estava completamente impregnado no tecido. Um sorriso de cant

