50 - IRIS

1538 Words

O barulho da chuva batendo forte contra a janela de vidro da kitnet foi o que começou a me despertar, mas o que me fez saltar do sofá de verdade foi o estrondo de um trovão violento que ecoou pelo céu do Rio de Janeiro. Meu corpo deu um solavanco para cima e, no mesmíssimo segundo, o Rato também sentou de uma vez, olhando para os lados com os olhos semicerrados, a mão dele descendo instintivamente em direção ao cós da bermuda, onde a arma estava guardada. A reação de quem vive em alerta constante. Olhei para a tela da TV, que ainda passava um filme qualquer em volume baixo, e depois para o relógio analógico que ficava pendurado na parede da cozinha. Passava das duas horas da manhã. Uma tempestade desabava lá fora, lavando as ruas e abafando qualquer som que viesse daquele boteco barulhent

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