31 - RATO

711 Words

A frequência do rádio estalou na minha cintura e a voz rastejada do chefe entrou direto na minha mente. Anotei a missão mentalmente, desliguei o aparelho e dei um puxão no cós da minha calça larga. Eu me chamo Henrique, mas na pista geral só me conhece pelo vulgo de Rato. O apelido colou na minha infância porque, enquanto a molecada gastava o trocado do chiclete em doce, eu vivia com um pedaço de queijo na mão. Queijo coalho na brasa, mussarela roubada da padaria, o que viesse. Virou piada e, no crime, o que vira piada vira nome. Eu e o cara que acabou de falar no rádio fomos criados juntos no mesmo miolo de beco. Temos poucos meses de diferença de idade — eu sou ligeiramente mais novo —, e a nossa história foi escrita na mesma calçada. Se hoje ele é a mente e a força que comanda a Rocinh

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