Parte 4...
Ela lembrava sim. Não de tudo, mas boa parte já se fazia marcar em sua memória.
Lembrava do casamento do irmão mais velho, da farra dos amigos e parentes e claro, do tanto de bebida que ela consumiu sem ter noção do que faria com seu organismo.
Raramente bebia, era fraca para qualquer tipo de bebida alcoólica e resolveu fazer essa m***a na noite anterior, misturando tudo. Aí estava o final.
Ela tinha começado a flertar com Vítor de brincadeira, nada demais, só para relaxar. E daí? Não tinha nada de m*l.
Todas as garotas da fazenda acham que ele é bonito e sexy, só quis brincar um pouco e até causar um pouco de inveja nelas. Mesmo achando que Vítor era um machista exagerado, mandão e egocêntrico.
Porém, ele era também muito sexy e inteligente, além de dançar muito bem. Ela sabia disso porque foi ela quem teve a ousadia de chamá-lo para dançar quando a música mudou.
Estava se divertindo muito com ele e não pensou nas consequências de seus atos. A música lenta o fez segurar em sua cintura e começaram a dançar quase colados, mesmo com as pessoas em volta olhando. E ela adorou aquelas mãos.
Foi interessante perceber como seu corpo reagiu ao dele, enquanto dançavam juntos, colados, sentindo o cheiro másculo.
Não tinha consciência dessa atração por ele até então. E Vítor era a última pessoa no mundo com quem deveria se envolver, por vários motivos.
Um deles é que ele era um solteiro convicto. Após o fracasso de seu casamento, já o ouvira dizer várias vezes que as mulheres eram só uma diversão em sua vida agora.
Era muito bonito, cheio de palavras e decisões, mas era um mulherengo. E ali estava ela.
Quando ele apareceu na fazenda procurando emprego, seus irmãos fizeram uma entrevista com ele e lhe deram o emprego por um tempo de experiência para ver se ele realmente era bom na tarefa.
E Vítor provou que era. Tanto que o irmão decidiu contratá-lo de modo fixo e logo as pessoas começaram a conhecê-lo mais e seu trabalho. Era muito capaz no que fazia e o que mais lhe agradava eram os animais. Parecia mais à vontade com eles do que com as pessoas.
Algo que também a intrigava um pouco quando pensava nele.
Fez tanto sucesso que até outros proprietários de sítios e fazendas o chamaram para fazer trabalhos avulsos quando estivesse de folga. E o sucesso se estendeu para as mulheres também.
Chegava a ser ridículo o tanto de mulher que ligava para a fazenda atrás dele. Até seu irmão Jessé reclamou com ele sobre isso, mas Vítor garantiu que não era ele quem dava o número do lugar e sim elas que descobriam e ligavam atrás dele.
Quando ele passou a trabalhar com ela também, tiveram alguns momentos de discórdia e até brigas, mas nada grave, apenas coisas sobre diferença de pensamento.
Seus irmãos até riam disso.
_ Oi? Juliana? - ele estalou os dedos na frente dela.
_ O que? - ela ergueu as sobrancelhas.
_ Pode me dar uma ajudinha para recordar?
_ Hum... Não vai dar - ela mentiu _ Eu também estou meio apagada, não lembro.
De modo algum iria dizer que lembrava do que havia feito em cima dele. Jamais.
_ Ah, m***a - suspirou e apertou a cabeça com as mãos ao lado _ Minha cabeça está pesada e parece que vai explodir.
_ Que chato... Eu também - torceu a boca.
Ela levantou enquanto ele estava de olhos fechados e sentou na beirada do colchão.
_ p***a!
Com o grito que ele deu ela também gritou e caiu sentada de novo no chão.
_ Que d***o foi isso, homem? - franziu a testa sem entender.
O d***o foi que veio à sua mente o momento exato em que fez amor com ela. E veio forte em sua lembrança que Juliana era virgem.
Virgem!
Ele tinha dançado com ela, a levou até seu quarto e fizera amor com ela, achando que era experiente e no entanto, ele foi seu primeiro homem.
Que m***a grande ele tinha feito. Era o responsável por tirar a virgindade dela, irmã do chefe e dona de tudo também. A fazenda era da família.
Estava mesmo encrencado. Seu peito até apertou como se tivesse o peso de um caminhão em cima. Estava ferrado de vez.
_ p**a m***a - ele murmurou.
Escondeu o rosto com as mãos, pensando na m***a que tinha feito. Seria até correto que os irmãos dela o enchessem de p*****a ao descobrir. Talvez até mais do que isso.
Ele a magoaria e a colocaria em uma confusão enorme. Tudo bem que era preciso dois para o que fizeram, mas ele era mais velho e mais experiente, não poderia ter dado esse deslize.
Tinha cometido um erro enorme e se alguém fizesse o mesmo com a irmã dele, também iria querer colocar tudo abaixo. No mínimo arrancava o p***o do s****o que fizesse isso.
Por um tempo ele ficou calado só pensando no que fazer e o silêncio ficou um pouco estranho.
Ergueu a cabeça suspirando e olhou para ela.
_ Juliana... Eu... Nem sei o que dizer.
_ Como assim? - ela franziu os olhos e voltou a sentar na cama _ Dizer o que?
_ Eu não deveria ter trazido você para cá, não foi legal - esfregou o cabelo com força.
_ Ah, que bom... - ela torceu a boca _ Muito legal de sua parte me falar isso.