Lara estacionou a moto em frente de casa, o ronco do motor ecoando baixinho na rua silenciosa. Já era quase o começo da noite, mas ela se sentia viva, plena. Abriu o portão e entrou no quintal, ainda sentindo a adrenalina da noite anterior misturada com o calor do sol que se despedia.
— Lara! — gritou Helena, saindo da sala, os braços cruzados, o olhar em choque. — Você tá maluca, Lara!
Lara riu baixinho, tentando parecer inocente, mas o sorriso denunciava a ousadia que sempre a acompanhava.
— Mãe… — começou Helena, a voz tremendo de preocupação — você saiu daqui ontem quase uma hora da manhã, passou a madrugada toda fora, em baile, e o dia fora!
— Mãe, — disse Lara, caminhando até ela com naturalidade — eu fiquei com um menino lá no baile… pra casa dele.
Helena arregalou os olhos, como se o chão tivesse sumido debaixo dos pés. — Que menino é esse? Mas… um bandido?
— É, mãe! — respondeu Lara, sem hesitar, com aquele sorriso travesso que sempre a deixava irresistível. — Mas calma, relaxa, eu sei o que eu faço!
— Lara… você não sabe o que faz! Você não sabe! — Helena gesticulava, assustada.
— Mãe… — Lara suspirou, passando a mão pelo braço da mãe, suave, tentando acalmá-la. — Eu amo a senhora, amo mesmo, tá? Mas eu não sou mais uma garotinha, mãe. Eu já tenho 21 anos, tá? Eu preciso viver.
Helena a olhou, apertando os lábios, sentindo o conflito entre amor e preocupação.
— Relaxa… eu voltei, tô bem — disse Lara, tentando passar segurança. — Não aconteceu nada, mãe. Eu tô inteira.
Por um momento, Helena respirou fundo, olhando para a filha que crescia diante dela, independente e audaciosa. Sabia que não podia controlar Lara, só podia rezar para que ela sempre tivesse cuidado.
Lara sorriu, sentindo aquela mistura de liberdade e desafio pulsando dentro de si. Para ela, a noite, o perigo e os encontros com homens como Rafael eram parte da vida que ela escolhera — e nada poderia fazê-la recuar.
Lara entrou no quarto, exausta, mas ainda vibrando com o calor da madrugada e a adrenalina que ainda corria em seu corpo. Colocou uma camisa fresquinha, largou a mochila no canto e se jogou na cama, suspirando. m*l tinha se deitado quando o celular vibrou. Era chamada de vídeo das amigas: Bruna, Camila e Nina.
— E aí, menina? — Bruna apareceu na tela, sorrindo. — Até que enfim você chegou! Um monte de mensagem nossa no seu celular!
Lara riu, passando a mão pelos cachos. — Ai, meninas… eu não estava ocupada, né? — disse, piscando. — Mas nossa… deixa eu contar como foi!
— Conta, conta! — insistiu Camila, curiosa.
— Nossa… — Lara começou, rindo sozinha, lembrando do beijo e da tensão. — Ele… — e fez uma pausa dramática — a pegada dele… meninas, que delícia!
— aí, menina! — exclamou Nina. — Que inveja !
— Ele é muito bom — Lara confirmou, mordendo o lábio, ainda sorrindo. — Vocês iam morrer de inveja.
As amigas riram e começaram a mandar emojis, comentários e perguntas.
— E aí… você chamou pra sair de novo? — perguntou Bruna, inclinando-se para a tela.
— Sim! — respondeu Lara, ainda animada. — Ele me chamou pra um racha sexta-feira.
— Mentira! Que tudo! — Camila exclamou. — Ai, amiga, levar a gente ?
— Ah, meninas… nesse não, não rola — disse Lara, piscando. — Nesse eu vou com ele, porque vai ser um encontro. Mas no próximo eu vejo… aí eu descubro o local e a gente aparece depois por conta própria.
— Ah, tá bom, tá bom — Bruna disse, rindo. — Entao valeu apena ??
— se valeu apena — Lara respondeu com um sorriso travesso, lembrando-se do calor da madrugada. — foi uma delícia, fui nas nuvens incansavel vezes.mas Agora só preciso dormir. Recuperar as energias. Porque amanhã eu tenho que sair pra fazer umas vendas, ganhar um dinheirinho.
As amigas riram, se despediram e desligaram, deixando Lara sozinha no quarto. Ela se ajeitou na cama, respirando fundo, sentindo o corpo ainda aquecido pelo que tinha vivido. A cabeça girava com lembranças do beijo, do toque, do convite para o racha… e da promessa de mais perigo, mais adrenalina.
Ela sorriu, fechando os olhos: para Lara, aquela vida intensa era exatamente o que ela queria. O perigo, o desejo e a liberdade eram seu mundo — e ela não trocaria por nada.