Emerson Carlisle massageou as têmporas. Na tela do computador havia uma imagem desfavorável de Marilynn festejando em um clube, seu rosto praticamente brilhando pelo álcool em seu sistema. Seu vestido estava extremamente curto, m*l cobrindo-a. Ao longo dos anos, ela aparecia cada vez mais nas colunas de fofocas e estava ficando mais difícil ignorar. Pior ainda, isso estava começando a afetar os negócios.
A Carlisle Enterprises era um negócio familiar, não muito diferente dos DaLairs, Prescotts e Stantons. Os investidores olhavam para Emerson e sua família como um indicativo da vitalidade da empresa. A farra de Marilynn não era vista com bons olhos e ele não tinha outros filhos ou netos, então o futuro da empresa também tinha uma perspectiva desfavorável, especialmente em comparação com os DaLairs, que viram um aumento incrível de investidores e interesse desde o casamento de Julius e o nascimento de seu terceiro filho.
Como se as imagens em si não fossem insulto suficiente, havia os comentários que as acompanhavam. Ele rolou a página para baixo na seção de comentários com considerável irritação.
Que v***a!
Ela não tem nenhum respeito próprio!
Que p**a barata!
Por uma garrafa de tequila, ela pode ser sua por uma noite, rapazes! Não façam todos os lances de uma vez!
Imaginem quantas doenças ela carrega!
Olhe pelo lado positivo. Provavelmente ela é estéril, então não há chance de ela procriar. Graças a Deus! Vocês conseguem imaginar a prole dela causando inferno no mundo?
Emerson tremeu de raiva com os comentários direcionados à sua filha, mas não havia muito que ele pudesse fazer a respeito. Seus advogados já o informaram que a liberdade de expressão permitia que as pessoas dissessem o que bem entendessem, especialmente online. Mesmo que ele conseguisse fechar um site, ainda havia centenas de outros. Ele também não podia argumentar levando em consideração as fotos postadas dela. Onde ele errou?
"Senhor, há um homem do Eagle aqui".
Emerson hesitou. O Eagle era uma das maiores revistas de fofoca. Na verdade, ele estava no site deles agora. Ele realmente não estava a fim de falar com ninguém associado a isso, mas essa poderia ser uma chance de esclarecer as coisas e talvez salvar a reputação de sua filha.
"Faça-o entrar".
Emerson esperou e momentos depois um jovem foi mostrado dentro do escritório. Seu visitante estava vestido de forma bastante bagunçada: calça cargo, camisa de flanela e jaqueta de couro surrada. No entanto, a expressão em seu rosto estava longe de ser humilde. Vendo o magnata corporativo, ele deu um sorriso de superioridade e não pareceu nem um pouco intimidado quando se aproximou da mesa.
Oferecendo a mão, ele sorriu: "Senhor Carlisle."
Emerson não se moveu, apenas olhou para a mão oferecida. Com um suspiro, ele fez um gesto para o homem se sentar.
O sorriso desapareceu do rosto do homem, que limpou a garganta e se sentou, mas não perdeu a arrogância de um vendedor. Havia algo em sua confiança que irritava Emerson. Essa pessoa estava muito abaixo dele e deveria ter ficado intimidada, no mínimo. No entanto, o homem estava relaxado, sentado de volta na cadeira e com uma perna apoiada no joelho oposto.
"Como exatamente posso ajudá-lo?" Emerson perguntou.
"Não se trata de você me ajudar. Trata-se do que eu posso fazer por você", respondeu o homem, soando ainda mais como um vendedor.
Emerson arqueou uma sobrancelha. Ele não era facilmente enganado e certamente não seria ludibriado por um charlatão de parque de diversões.
"Ouvi dizer que você tem tido problemas familiares.", disse o homem, ganhando um olhar de desprezo. "Há muitos rumores feios sobre sua filha... e nenhum outro herdeiro para garantir o futuro de sua empresa também".
"Vá direto ao ponto".
"Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas que tal um vídeo?"
O homem pegou seu celular e selecionou um vídeo salvo nele. Entregando-o a Emerson, ele se recostou enquanto a melodia familiar de Für Elise, de Beethoven, tocava. Emerson relutantemente aceitou o telefone, esperando por um vídeo comprometedor de Marilynn, mas prendeu a respiração ao ver o que estava na tela pequena.
No pequeno visor estava uma garota sentada ao piano. Seus olhos verdes estavam parcialmente fechados enquanto ela se movia ao ritmo da melodia que tocava. Era como se ela fosse uma com a música. Ela a deixava fluir de seu coração, convidando a todos. Ele só tinha visto outra pessoa tocar assim.
"O que é isso?" Emerson olhou para o homem, sua fachada indiferente desmoronando.
"É a garota que deveria ter vencido o Concurso de Música de All Boroughs", disse o homem. "O sobrenome dela pode ser diferente, mas ela se parece e toca muito parecido com alguém que você tentou apagar, Avalynn Carlisle".
Emerson estremeceu com o nome que ele havia eliminado dos registros da família. Avalynn havia sido uma criança quieta e dócil, pura e inocente. Pelo menos era isso que ele pensava. Há dez anos, um escândalo arruinou sua opinião, revelando-a como a pior mentirosa e dissimulada que ele havia visto. Ele tinha esperanças tão altas para ela, mas não conseguia acreditar que ela o trairia como fez. Será que isso poderia ser... será que era mesmo...
"Nome.", repetiu Emerson.
"Carter. Na verdade, não é tão diferente de Carlisle se você pensar sobre isso."
"Que prova você tem?"
"Isto não é o suficiente?" O homem parecia genuinamente perplexo.
Qualquer pessoa que visse a performance da garota concordaria com ele. Além disso, ter cabelos castanhos e olhos verdes não era exatamente uma combinação comum, mas era conhecida como características hereditárias da família Carlisle. Embora seus cabelos estivessem grisalhos, Emerson passou as características únicas para suas duas filhas. Sem mencionar o fato de que Carter certamente era derivado de Carlisle.
Embora, agora que ele pensava sobre isso, ninguém mais havia chegado às mesmas conclusões. A garota tinha sido uma entrada tardia quando o vencedor já havia sido praticamente decidido. Seu talento surpreendeu muitos, assim como o fato de que ela claramente era cega. Várias pessoas a lamentavam, mas ela não havia pedido por pena. Ela deixou sua música falar por si, o que ninguém mais fez.
Talvez dez anos tenham sido tempo demais para despertar a memória de todos os outros. Escândalos tendem a ofuscar o talento, embora pessoalmente o homem não desse muita importância a rumores e fofocas, apesar de sua ocupação. Avalynn Carlisle nunca apareceu nas páginas de fofoca, ao contrário de sua irmã, que parecia contente em ser um espetáculo. Ela era doce, refinada e frequentemente ofuscada. Talvez seja por isso que eles tenham esquecido seu supremo talento musical.
"Que tipo de prova você quer?", perguntou o homem.
"Uma foto de sua mãe, pelo menos. E de preferência juntas... e o nome dela."
O homem considerou isso. Ele entendia a necessidade do outro de ser cauteloso. Controvérsias giravam em torno de sua amada filha. Se ele anunciasse de repente o retorno de sua filha rejeitada, sem falar de sua neta, seria um choque para o mundo elitista em que ele vivia. Isso poderia fazer ou quebrar sua empresa se não fosse feito corretamente.
Mas se isso provasse sua salvação, Emerson recompensaria generosamente a pessoa que tornasse isso possível. Essa era a razão pela qual ele não havia oferecido a história ao seu editor. O dinheiro que a revista poderia oferecer simplesmente não se comparava a ter Carlisle lhe devendo um favor.
"Certo. Vou conseguir fotos e um nome. Também incluirei o endereço deles."
"Em dois dias.", disse Emerson. Sua paciência não duraria mais do que isso, apesar de sua intenção de agir com cuidado.
Acenando com a cabeça, o homem pegou seu telefone de volta antes de sair. Não era a resposta imediata que ele queria, mas mais informações significavam que ele poderia pedir mais dinheiro.
Assim que o homem saiu, Emerson recostou-se na cadeira com a lembrança da performance da criança nadando em sua mente. Há dez anos, ele virou as costas para sua filha. Ele não tinha escolha. A garota o traiu. Marilynn contou tudo para ele. Ela não tinha motivo para mentir sobre sua única irmã. Ele teria esperado que ela mentisse para protegê-la. Furioso, ele expulsou Ava sem pensar duas vezes e a cortou totalmente.
Ele esperava que ela voltasse rastejando, implorando por perdão e misericórdia. Em vez disso, ela desapareceu. Depois de seis meses, ele se cansou de seu orgulho teimoso e mandou seus homens buscá-la, mas eles não encontraram nenhum vestígio dela. Era como se Avalynn Carlisle tivesse desaparecido do mundo.
Emerson finalmente entendeu que não sabia nada sobre sua filha. Ele não conhecia seus amigos ou para quem ela poderia recorrer. Simplesmente não tinha ideia de onde começar a procurá-la. Ela sempre tinha sido quieta e obediente. Nunca ele suspeitou da força que ela possuía. Poderia ser que ela tivesse, na verdade, decidido criar sua filha sozinha em vez de buscar ajuda da família? Será que ela estava tentando puni-lo, convidando mais escândalos? Ele simplesmente não entendia o que se passava em sua mente.
Inclinando-se para frente, ele tocou seu interfone.
"Senhor Carlisle?" sua secretária respondeu rapidamente.
"Chame o Connor para o meu escritório."
"Imediatamente, senhor."
Emerson levantou-se e se aproximou da janela com vista para a cidade. Desta vez ele a encontraria... desta vez ela agiria como a filha estudiosa que era para parecer, ou ele faria com que ela se arrependesse. De qualquer forma, sua neta certamente obedeceria. Ele não sabia que tipo de vida elas haviam levado, mas não havia como sua neta recusar a chance de uma vida melhor.
Ele tinha certeza disso.