♥CAPÍTULO TRÊS♥

1343 Words
Alex. 09:01 ― Centro de Detenção Provisória II Guarulhos ― Refeitório ― São Paulo ― Brasil. Após pegarmos as nossas bandejas com comida, se isso for chamado de comida mesmo, seguimos para uma grande mesa vazia. ― Não se preocupe com a comida, pode ter uma aparência horrível, mas até que tem um bom gostinho. ― Falou se sentando. ― Certo. ― Me sentei também. ― Vamos comer. Ele começou a comer e olhei para o meu prato, parecia um tipo de sopa, só que não é sopa. ― Com muito medo eu coloquei na boca sentindo o gosto, até que não é r**m. ― Pela sua cara gostou. ― Falou rindo. ― É boa. ― Ele acenou. Começamos a comer em silêncio, do nada o refeitório é invadido pelos outros prisioneiros. ― Já estava na hora deles chegarem. ― Falou despreocupado. Claro, ele já é acostumado, eu sou a carne nova no pedaço, p**a merda! ― Bom, eu vou te dar um conselho, nunca olhe nos olhos dos outros prisioneiros, eles vão achar que você está querendo confusão. ― Entendi, obrigado pelo aviso. ― De nada. Soltei um pequeno suspiro e terminei de comer. ― Está vendo aquele grupo ali? ― Apontou e virei a cabeça para ver. Vejo um enorme grupo se sentando em uma mesa após terem pegado suas refeições. ― Sim, o que tem? ― Perguntei olhando para ele agora. ― Eles são os novos líderes da prisão, temporariamente. ― Como assim temporariamente? ― Ele deu um gole do suco e soltou um suspiro. ― O líder dessa prisão é o d***o, ele está na solitária por matar um policial. ― Fiquei surpreso com essa informação. ― Toda vez que ele fica na solitária, os outros presos brigam entre si para ser o novo líder temporariamente. Então, tome muito cuidado para não chamar atenção deles, todos eles gostam de uma carne nova. Engoli seco. ― Você gosta de me deixar assustado, não é? ― Ele riu. ― Não, eu estou te avisando como as coisas funcionam por aqui, os policiais não tem poder neste lugar. O d***o foi para a solitária porque ele quis, acho que queria dar um tempo, eu não sei. A única coisa que eu sei é que ele não é homem para brincadeira, tome cuidado para não acabar sendo morto por ele, obedeça e talvez você viva. Respirei fundo várias vezes para não chorar. ― Porque foi preso? ― Perguntou cruzando os braços. ― Os malditos policiais colocaram um quilo de maconha na minha mochila da faculdade e falaram que era minha. ― Ele riu negando com a cabeça. ― Isso sempre acontece, em todas as cadeias sempre vai ter alguém que foi preso injustiçadamente. ― E você? ― Ele me olhou. ― Porque foi preso? ― Matei o meu pai. ― Falou sem remorsos. ― Ele abusava da minha mãe, então eu perdi a cabeça e o matei sem pena alguma, algo que eu não me arrependo. ― Quanto tempo você está aqui? ― Semana passada fez três anos. ― Olhei para ele em estado de choque. ― Tanto tempo assim. ― Ele riu. ― Queridinho, todos aqui tem pena máxima, chegam até a trinta anos de cadeia. Eu queria saber o meu, quanto tempo irei ficar aqui? Aquele delegado de merda não falou nada, só ordenou que me trouxessem para esse lugar. ― E você? ― Olhei sem entender para ele. ― Pegou quanto tempo? ― Eu não sei, o delegado que ordenou que me trouxessem para cá não falou a minha pena. ― Ele ergueu uma das suas sobrancelhas. ― Então quem vai decidir isso é o diretor, ele vai ficar de olho em você e depois pode te chamar para dizer a sua pena. ― Acenei com a cabeça sem muita motivação. ― Ora, carne nova no pedaço. ― Tomei um susto com uma voz atrás de mim. Virei para ver quem era e vi um jovem bem bonito por sinal. Ele é um pouquinho alto, o mesmo é branco e tem cabelo castanho claro, a cor dos seus olhos é um azul bem claro, o deixando mais bonito ainda. ― Ah, Baby, esse é o Alex, chegou ontem aqui na prisão. ― Falou a bonequinha apontando para mim. ― Hum. ― Ele me olhou. ― Cuidado, anjinho, pode acabar sendo comido por alguém. Meu corpo todo tremeu de medo com isso. ― Bom, eu vou indo, tchauzinho. ― Ele foi embora nos deixando sozinhos novamente. Olhei assustado para o meu companheiro de cela que riu. ― Ele está com ciúmes de você. ― Franzo a testa. ― O que? Porque? ― Lindinho, você é bem burrinho. ― Ele apoiou seus cotovelos na mesa e me olhou sorrindo. ― Você é lindo demais, até superou o Baby, ele notou isso e ficou irritado. ― Agora pronto, além de eu ser preso por causa daqueles infelizes, um jovem me odeia por eu ser um pouco bonito, ainda corro risco de ser estuprado, que vida boa. ― Cubro o meu rosto com as minhas mãos frustrado com tudo isso. A vontade de chorar é grande demais. ― Oh, amorzinho, não fique assim, eu vou te ajudar, pode contar comigo. ― Falou colocando a mão em meu ombro. ― Como você vai me ajudar? Se um cara quiser me estuprar, o que vai fazer? ― Perguntei com lágrimas nos olhos. ― Irei tentar te ajudar, Alex, eu gostei de você, você se parece comigo quando eu cheguei nesse lugar, o Baby me ajudou, agora eu vou te ajudar. Soltei um suspiro com isso. ― Obrigado. ― Ele sorriu para mim. ― Você pode me dizer o seu nome? Ficar chamando você de bonequinha é estranho pra mim. Ele riu. ― Pode me chamar somente de B. ― Tudo bem então, B. ― Vamos levar os nossos pratos, irei te explicar as tarefas que precisamos fazer. ― Certo. Levantamos com as nossas bandejas e segui ele, olhei os prisioneiros no refeitório e vi aquele n***o do outro lado me encarando sorrindo. Virei um alvo. ― Porque aquele cara não para de me encarar? ― Perguntei muito assustado para o B. ― O apelido dele aqui é n***o, ele sempre pega todos os novatos, se o sexo for bom pra ele, você se tornar exclusivamente dele. ― C-Como sabe disso? ― Perguntei. ― Bom, eu já transei com ele, o mesmo não gostou muito, graças a Deus. ― Riu sozinho. ― Eu não queria ser dele mesmo, na verdade, eu não quero ser de ninguém, mas se alguém me quiser, eu não posso recusar. ― E por que não? ― Perguntei sem entender. Todo mundo tem escolhas. ― Porque eu não quero morrer. ― Falou sério. ― Alex, você reparou que não tem muitos jovens aqui, não é? ― Ah, sim. ― Concordo. ― Todos foram mortos por não obedecer os outros prisioneiros, eu e os meus amigos estamos vivos por obedecer, você vai ter que parar de ser orgulhoso, aqui dentro ninguém tem escolhas. ― Falou sério para mim. ― Estou te avisando para o seu próprio bem. Acenei com a cabeça em concordância sem conseguir falar mais alguma coisa, entregamos as bandejas sujas e ele me puxou para fora do refeitório. ― Aqui todos trabalham, quer dizer, menos o d***o e o Baby, mas o resto tem que trabalhar. ― Quais são os trabalhos? ― Tem de tudo, você pode trabalhar na cozinha, pode trabalhar na lavanderia, limpar os banheiros. ― Você trabalha em que? ― Prefiro lavar as roupas, no banheiro é capaz de um deles aparecer e te estuprar, já aconteceu comigo. ― Fiquei assustado com isso. ― Você ficou bem? ― Ele acenou com a cabeça. ― Sim, só com algumas dores no cu. ― Deu de ombro. ― Também tem uma enfermaria aqui, é uma bosta, mais até que dá pro gasto. ― Certo. Como alguém pode ser tão calmo? Ele deve ter sofrido tanto aqui que se acostumou com esses tratamentos horríveis. Ah, que Deus me ajude nesse lugar.
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