Capítulo 21 ARTHUR NARRANDO Ainda me lembro do barulho seco do impacto. O freio cantando no asfalto molhado, a adrenalina subindo como um soco no peito, e aquele corpo no chão. Por um segundo achei que tinha matado alguém. Mas quando corri e vi o rosto dela… eu congelei. Beatriz. Minha funcionária. A secretária discreta que quase nunca fala, que chega, senta, faz tudo certinho e some. A mesma que eu m*l sabia o sobrenome, mas que naquele momento tava ali, no chão, com os olhos vermelhos e o rosto inchado de tanto chorar. Ferida. Abalada. Quebrada. E aquilo… me atingiu de um jeito estranho. Levei ela pra casa. Era o mínimo. Mas o que ficou na minha mente foi a forma como ela me olhou. Não com medo. Mas com dor. Uma dor funda. Aquela que a gente não vê todo dia. Passei o caminho intei

