CAPÍTULO 208 PATRÍCIA NARRANDO: A noite não passou. Ela rastejou, lenta, angustiante. Virei de um lado para o outro na cama como se estivesse em busca de uma posição que fizesse meu coração doer menos, mas não adiantava. O quarto estava escuro, silencioso… exceto pelos meus pensamentos, que berravam como sirenes dentro da minha cabeça. A discussão — ou o quase rompimento velado, com Rafael no jantar me deixara um gosto amargo na boca. Ele não gritou, não foi agressivo, mas aquela ideia de que ele podia “me dar uma vida” e, com isso, apagar tudo que eu havia construído me feriu mais do que qualquer grito. Ele me amava, eu sabia disso. Mas amor não podia significar controle ou conformismo. Eu lutei tanto. Estudei madrugadas a fio, trabalhei em lugares onde ninguém acreditava em mim, ouvi

