Capítulo 43 BEATRIZ NARRANDO Fechei a porta, encostei ali por alguns segundos e deixei meu corpo escorregar até sentar no chão frio da sala. Soltei o ar devagar. Era como se eu tivesse carregando uma mala de pedras nas costas e, enfim, tivesse deixado ela no meio da rua. A aliança tava longe, o bilhete já entregue, e o Vinícius… que ficasse com a lembrança. Eu não queria mais carregar nada daquilo. Levantei com calma, fui até o banheiro e escovei os dentes. O rosto cansado no espelho já não parecia mais triste. Só… leve. Como se eu tivesse tirado uma casca velha, uma dor antiga que me prendia no mesmo lugar. Apaguei as luzes da casa uma por uma, deixando só a do abajur do meu quarto acesa. Caminhei descalça pelo corredor, sentindo o chão geladinho nos pés. Abri a cama com calma, dobr

