CAPÍTULO 120 BEATRIZ NARRANDO A areia fria entre os dedos me trouxe uma sensação que eu nem lembrava mais. Paz. Liberdade. Vida. Eu olhei pro lado e lá tava ele… Arthur. Com aquele olhar sereno, firme, o vento bagunçando um pouco o cabelo dele e aquele jeitão seguro de quem comanda o mundo, mas tira o peso quando tá comigo. A gente foi andando devagar pela beira da praia. As ondas vinham e lambiam nossos pés, o céu já pintado de tons laranja, rosa e roxo. A cidade tava lá atrás, barulhenta, cheia de problemas. Mas aqui… aqui era só o som do mar, o cheiro bom de sal e ele do meu lado. — Isso aqui é perfeito — murmurei, olhando o mar. — Tu é perfeita — ele respondeu na hora, me fazendo sorrir sem graça. — Para com isso… — Para o quê? De falar a verdade? Olhei pra ele e parei de andar

