Capítulo 57 ARTHUR NARRANDO Deixei a Beatriz ali no quintal, conversando com a minha mãe, que já puxava assunto sobre receitas e flores de inverno, como se fossem melhores amigas há anos. Sorri de longe com a cena. A naturalidade da Bia me desmontava aos poucos… e me construía também, de um jeito novo. Fui entrando pela porta da cozinha, buscando um pouco de silêncio e um copo de água gelada. Abri o armário, peguei um copo e encostei na pia, tentando organizar os pensamentos. Até que senti a presença atrás de mim. Sabia quem era antes mesmo de virar. — Corajoso da sua parte… — a voz da Carla cortou o ar como faca. — Apresentar uma mulher como aquela pra sua família. Virei devagar, o copo ainda na mão, tentando manter a calma. — Que mulher, Carla? — Aquela tua versão m*l feita — ela

