CAPÍTULO 78 BEATRIZ NARRANDO Fazia meia hora que eu tentava escrever o mesmo parágrafo num e-mail. E não saía. As palavras fugiam da minha cabeça como se o teclado estivesse congelado. E eu sabia o motivo. Arthur. Ou melhor, o olhar dele. Mesmo sem olhar diretamente pra mim, eu sabia que ele tava ali. Dava pra sentir. Era como uma corrente elétrica leve, mas constante, passando por mim. Me deixava alerta. E ao mesmo tempo, estranhamente viva. Depois daquela cena com a Valdirene, eu devia estar abalada. Devia ter corrido pro banheiro, chorado, mandado ele se resolver com as ex dele antes de me meter num teatro desses. Mas eu não fiz nada disso. Porque, no fundo, eu sabia que ela tinha perdido. Não por causa do contrato. Nem por causa do título de senhora Vasconcellos. Ela perdeu no

