Capítulo 37 BEATRIZ NARRANDO Voltei pra minha mesa com o coração acelerado. Tentei sentar como se nada tivesse acontecido, como se eu tivesse acabado de entregar um relatório qualquer, mas por dentro… tava um furacão. Eu disse sim. Eu aceitei. E ele só assentiu, com aquele olhar que eu nunca soube decifrar direito. Nem frio, nem quente. Só intenso. Como se me visse de verdade, sem precisar dizer nada. Aquilo me desconcertava. Sempre me desconcertou. Fiquei olhando a tela do computador por uns minutos, sem realmente enxergar nada. Meus dedos estavam no teclado, mas eu não digitava. Só ouvia o som da minha respiração tentando entrar no ritmo do mundo à minha volta. Trinta mil. Uma encenação. Um fim de semana. Mas e se... e se isso saísse do controle? Balancei a cabeça, afastando o

