CAPÍTULO 169 CAMILA NARRANDO Já passava da meia-noite e eu continuava rolando na cama. A cada hora virada no relógio, meu peito apertava mais. Estava sozinha no meu quartinho pequeno, paredes finas e a janela entreaberta, deixando entrar o som abafado da madrugada lá fora. Mas por dentro… parecia um furacão. Desde o momento que o Matteo saiu daquela boate, com aquele olhar de fúria e mágoa, algo em mim se partiu. A forma como ele me olhou antes de virar as costas ficou gravada como tatuagem na minha pele. Dói. Dói não ter dito nada. Dói não ter corrido atrás. Dói sentir que ele mexeu comigo de um jeito que eu nunca achei que alguém seria capaz. Me revirei mais uma vez e puxei o travesseiro contra o peito. Eu não queria gostar dele. Matteo era perigo. Matteo era o oposto da minha vida.

