Capítulo 90 BEATRIZ NARRANDO Terminei meu café com a Pati entre risos e silêncios que diziam muito mais do que as palavras. A gente sabia que aquele café da manhã era o fim de um ciclo. Ela se levantou, me deu mais um abraço apertado e foi se arrumar pra ir trabalhar. Antes de sair, ainda voltou até mim e disse com aquele sorrisinho de canto: — E se o Arthur não te tratar bem… me avisa que eu apareço lá com um chinelo na mão, hein? — Pode deixar — respondi, rindo. — Mas acho que não vai precisar. Ela saiu e o silêncio voltou pra casa. Mas dessa vez, era um silêncio diferente. Um silêncio de expectativa. Levei a caneca pra pia, escovei os dentes e retoquei o batom diante do espelho do corredor. Coração batendo mais rápido. Mãos um pouco trêmulas. Respirei fundo, ajeitei a alça do vest

