Capítulo 54 BEATRIZ NARRANDO: O carro deslizou pela cidade sem pressa, como se cada sinal verde soubesse que a gente não podia se atrasar. Lá fora, a vida seguia no ritmo normal, mas dentro daquele carro, parecia outro mundo. Um silêncio confortável, cortado só pelo som do ar-condicionado e do meu coração acelerado. Aeroporto executivo. Era isso que dizia a placa que passamos. Mas o que me pegou mesmo foi quando o carro parou em frente a um hangar enorme, todo fechado, e dois homens uniformizados vieram abrir o portão com um aceno respeitoso. Arthur só assentiu com a cabeça, como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo. Eu, por outro lado, arregalei os olhos e me inclinei levemente pra frente, tentando ver melhor pela janela. E então eu vi. Um jatinho. Branco. Enorme. Com detalh

