Naquela semana, parecia que tudo na minha vida acontecia em câmera lenta. Eu acordava cedo, ia para a escola, tentava me distrair com as meninas, mas, no fundo, só existia um pensamento martelando na minha cabeça: Mathias. Era como se cada passo que eu desse me levasse mais para perto dele e, ao mesmo tempo, mais para longe. A cada olhar, eu me convencia de que ele não queria nada comigo. Que talvez eu tivesse inventado tudo na minha cabeça. ⸻ Na terça-feira, no intervalo, a bomba explodiu. Estávamos sentadas no banco perto do pátio — eu, Bianca, Júlia e Luíza — quando duas garotas do segundo ano passaram cochichando e olhando na nossa direção. Uma delas, que eu sabia ser Maria Clara, sorriu torto e falou alto o suficiente para a gente ouvir: — Olha lá, a “irmã do Tardelly” querendo se

