Sexta-feira chegou rápido demais. Depois de um dia inteiro na escola, ainda tentando me concentrar nas aulas, Julia apareceu com aquela energia contagiante que só ela tinha:
— Tiana! Vamos fazer uma festa do pijama na sua casa, igual fazíamos quando éramos mais novas! — disse, os olhos brilhando.
Meu coração bateu mais rápido. A ideia era simples, sem grandes preparativos, mas perfeita: o grupo todo junto, na minha casa, rindo, conversando e se divertindo como antigamente.
— Julia… todo mundo mesmo? — perguntei, hesitante.
— Claro! Lucas, Mathias, João Gabriel, Victor… todo mundo que faz parte do grupo! — respondeu, animada.
Revirei os olhos, mas sorri. Era impossível resistir à empolgação dela.
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Na escola, o dia passou rápido, mas parecia lento. Cada passo pelo corredor me lembrava da festa. Bianca e Maria Luiza caminharam comigo, conversando sobre playlists, pijamas e lanches.
— Ele vai mesmo vir? — perguntei baixinho, olhando para Julia.
— Sim! E provavelmente vai fingir que não se importa, mas a gente conhece ele melhor do que ninguém.
Enquanto andávamos pelo pátio, senti aquela ansiedade familiar. Mathias estava por perto, e mesmo sem olhar diretamente para ele, meu peito acelerava.
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Quando chegamos em casa, a sensação mudou completamente. Estávamos de volta à minha rotina, à minha segurança — e à casa dos Tardellys, que agora seria o cenário da nossa noite simples.
— A noite vai ser tranquila — disse, tentando organizar meus pensamentos — só a gente, conversando, rindo, sem grandes exageros.
— Exatamente! — concordou Julia — Como nos velhos tempos!
Começamos a organizar as coisas: almofadas espalhadas pelo chão, luzes suaves ligadas, uma playlist escolhida, lanches simples na cozinha. Era incrível perceber que, mesmo com a popularidade de Lucas, Mathias, João Gabriel e Victor, todos ainda tinham aquele jeito de infância com a gente.
Enquanto mexia nas almofadas, percebi que precisava contar algo às meninas. Respirei fundo:
— Gente… preciso confessar uma coisa — comecei, olhando para as amigas.
— O quê? — perguntou Bianca, curiosa.
— É sobre… o Mathias. — Admiti, sentindo meu rosto esquentar. — Eu sei que ele é popular, meu irmão adora ele, todo mundo adora, mas… tem alguma coisa nele que me deixa… nervosa. E não é só nervosismo normal, sabe?
Julia me olhou com aquele sorriso travesso.
— Ahhh, então você está interessada, hein? — disse, cutucando meu braço.
— Não! — tentei negar rapidamente, mas percebi que minha voz soou fraca até para mim. — Eu só… não sei, ele me deixa confusa. Ele me olha de um jeito que parece que percebe coisas que ninguém mais percebe. É… estranho.
Maria Luiza e Bianca trocaram olhares cúmplices.
— Tiana… — disse Bianca, rindo baixinho — acho que a gente entende perfeitamente. Ele tem esse efeito mesmo.
— É… — concordei, sem jeito — mas eu não quero que seja estranho com meu irmão ou com todo mundo.
Julia riu:
— Não se preocupe! A festa é simples, só a gente, e você vai perceber que algumas coisas acontecem naturalmente.
Enquanto organizávamos as almofadas e testávamos a playlist, comecei a perceber pequenas lembranças do passado. Era nostálgico, confortável, mas também cheio de tensão. A noite seria simples, sim, mas não sem olhares, gestos e momentos que poderiam mudar tudo.
E, no fundo, eu sabia: Mathias estaria ali, perto o suficiente para me lembrar do que sentia, mas mantendo a distância que me deixava louca.
A festa ainda não tinha começado, mas já estava clara a certeza de que aquela noite mudaria alguma coisa