O domingo amanheceu frio, nublado, e o ar parecia mais pesado do que o normal. O tipo de dia em que o silêncio da casa parece falar por si. Desde cedo, o Lucas não tinha dito uma palavra. O som das gavetas, os passos firmes pelo corredor, o jeito como ele batia as portas — tudo denunciava o que ele ainda sentia: raiva, decepção e um pedaço de tristeza que cortava o ar. Eu, por outro lado, m*l consegui levantar. Passei boa parte da manhã encarando o teto, lembrando de cada segundo da noite anterior — a praça, o frio, as palavras, o beijo, o alívio e o medo que veio logo depois. Tínhamos decidido conversar com o Lucas hoje. E, sinceramente, eu não fazia ideia de como começar. Quando o relógio marcou três da tarde, o celular vibrou. Mathias: “Tô indo aí. A gente precisa resolver isso

