>> Maria >>
Eu ainda estava sentada, na sala de aula e com a cabeça apoiada no meu braço que estava espalhado pela mesa. Esperando o momento em que seria exaltada, por que não aguentava mais ser humilhada por mim mesma. Eu não falo com o Victor desde que ele saiu daquele quarto de motel. Ele não me ligou mais, não mais apareceu aqui na sala e sequer me mandou uma mensagem dizendo que está bem ou me perguntando como eu estou.
Naquele dia, ele não perguntou se eu cheguei em casa bem. Ele viu o meu story com a gravação do baile - aquele em que o brutamontes - não aparecia e não falou nada. Isso só tudo só me fez ter a certeza que eu era a única que estava amando ou que me importava nessa relação estranha que a gente tinha.
Respirei fundo fazendo uma careta e coloquei a mão na testa quando ela voltou a latejar. Meu cérebro estava parecendo que estava girando dentro do meu crânio e o meu corpo como se estivesse sido atropelado por uma bicicleta.
— Estou com saudades da Elisa! — Gabriel simplesmente se jogou na cadeira ao meu lado, fazendo com que eu desse um pequeno pulo sentada por causa do susto e olhasse para ele com a mão no peito — Foi m*l!
Ele se desculpou enquanto ria e eu neguei com a cabeça para sinalizar que não foi nada.
— Você não viu ela… — Eu franzi a testa ao tentar me recordar com mais clareza e continuei com um tom de deboche na voz — Faz o que? Três dias?
— Sim, o que tem de mais? — Perguntou como quem não queria nada e colocou a sua mochila apoiada na parte traseira de sua cadeira. — Acho que tô apaixonado.
Ele disse quase se deitando na mesa e olhando para cima com um sorriso bobo no rosto. Não consegui conter o sorriso involuntário que nasceu nos meus lábios, mas ele se fechou assim que o rosto do meu irmão se passou bem na minha frente.
— Eu me achava emocionada, mas você está se mostrando um emocionado bem pior do que eu… — Disse com um sorriso zombeteiro e ele me respondeu com o dedo do meio. Franzi o cenho em uma careta de dor assim que sentir a dor volta e coloquei a minha testa sobre a mesa — Minha cabeça tá me matando.
— Deve ser os chifres… — Gabriel comentou fazendo com que eu olhasse para ele como se fosse pular em seu pescoço a qualquer momento — Você sabe do que eu tô falando. Eu daria um soco nele pra você.
Ele levantou a sobrancelha como se fosse o óbvio assim que percebeu que eu olhava para ele de forma desentendida. Sentir a saliva descer pela minha garganta quando ao olhar pela porta eu vi a silhueta do Victor passando no corredor, não sozinho, mas com o braço em volta da cintura da Ingrid enquanto ela arrumava o que parecia ser a gola de sua camisa.
Acho que um tiro no peito doeria bem menos do que isso.
— Eu pensei que ele era seu amigo… — Retruquei com um sorriso simpático no rosto. Enquanto sentia o meu peito se apertar e as lágrimas começarem a querer prejudicar o meu campo de visão.
— E ele é! — Afirmou com um sorriso fraco no rosto. Me olhava como se eu fosse algo frágil que se quebraria a qualquer momento — Mas você é incrível demais para suportar as babaquices que ele faz com você.
— E você diz isso por que é meu amigo ou por que quer se enfiar dentro da minha melhor amiga? — Perguntei com a sobrancelha erguida enquanto olhava para ele. Gabriel era um homem legal e de bem, mas nunca foi tão legal comigo quanto está sendo desde que ficou com a Elisa no meu aniversário.
— Você não era da igreja? — Ele perguntou com a melhor expressão e cara de surpresa com deboche que eu já vi na minha vida. Resultando em uma gargalhada da minha parte — Não se faz mais cristão como antigamente!
— Ser cristão é uma coisa. Gostar da palavra e ir pra igreja às vezes são caminhos completamente diferentes. Não misture as coisas! — Disse em um tom de repreensão. Vendo o meu amigo estender a mão para cima como alguém que estava se rendendo — Mas você não respondeu a minha pergunta…
— Por que eu sou o seu amigo, claro! — Ele comentou como se fosse o óbvio e tirava o seu caderno da mesa. Colocando-o em cima da mesa e rindo assim que percebeu a forma desconfiada em que eu o olhava — Mas pode ter uma pequena possibilidade da segunda parte também ser verdade.
Eu dei risada enquanto negava com a cabeça e olhei para frente quando a professora entrou na sala. Eu tentei prestar atenção na aula, mas a imagem do Victor e da Ingrid passeando no colégio como namorado e namorada, fazia com que isso fosse quase impossível. Comecei a mexer no celular quando a aula estava prestes a acabar.
Meus dedos praticamente se mexiam sozinhos. E por isso, só por isso, a tela do meu celular foi tomada pelo vídeo ao qual o homem do baile aparecia. Eu não sabia nada sobre ele além de que ele era um grosseiro sem educação. Mas mesmo assim, eu não podia negar que o homem era dono de uma beleza inconfundível.
— Quem é? — Victor perguntou enquanto se sentava na cadeira ao meu lado assim que a aula acabou. Fazendo com que eu escondesse a tela do celular para baixo e bloqueasse o mesmo. Olhei para o homem ao meu lado, que parecia descontente com alguma coisa — Você não me ligou…
— Eu deveria te ligar? — Perguntei. Juntando um pouco as sobrancelhas para enfatizar um pouco mais a minha expressão de quem estava completamente aérea do assunto. Não deixei que ele terminasse de abrir a boca para responder — Você também tem o meu número, Victor! Não sou eu que te escondo.
— Você está brava comigo? — Ele perguntou parecendo incrédulo. Como se o fato de eu estar brava com ele fosse o maior dos absurdos.
— Eu deveria estar feliz por você ter me deixado em um quarto de motel pra ser expulsa pelos funcionários? — Perguntei quase em um rosnado. Me levantando para começar a arrumar as minhas coisas e ele também se colocou de pé.
— Olha só, Mari! Eu não te obriguei a ficar comigo. Você ficou por que você quis! — Ele falou como alguém que estava tentando tirar a sua cabeça da mira e eu olhei o seu rosto por alguns segundos, completamente insatisfeita com a sua resposta — Mas se você está tão insatisfeita… Tudo bem, a gente não precisava mais ficar. Eu só não sei se eu vou conseguir ter uma amizade com você…
Ele falou como se estivesse realmente se lamentando de algo. Eu engoli em seco enquanto sentia a raiva crescer dentro de mim. Porém, ela foi tomada por uma solidão e angústia terrível quando a minha imaginação navegou em um futuro sem o Victor. Sem os seus beijos, sem o seu abraço, sem ouvir a voz me chamando ou a sua risada quando eu digo algo que ele acha graça.
— Eu… — Comecei a dizer e pausei para encarar os seus olhos. Ele me olha com as sobrancelhas erguidas e dá um passo em minha direção. Ele toca nos fios dos meus cabelos enquanto acaricia-os com atenção. Passou a ponta dos dedos pelo meu braço e pousou a mão na minha cintura, puxando-me mais para si.
— Eu não quero ter que ficar longe de você. Mas eu vou respeitar a sua decisão… — Ele sussurrou no meu ouvido. Seu hálito quente fez com que o meu corpo arrepiar — Você quer ficar longe de mim?
— Não! — A palavra saiu da minha boca de forma imediata. Victor deu um beijo no meu pescoço e se afastou de mim assim que ouviu passos na porta, parecendo aliviado quando percebeu que não era de quem ele suspeitava.
— Eu te ligo, beleza? — Ele falou enquanto colocava a mão no meu ombro e começou a se afastar assim que eu coloquei um sorriso para o lado.
— Se vira… — Sussurrei para mim mesma enquanto olhava as costas do Victor se afastando.
Era uma besteira da minha parte, mas para mim, se uma pessoa gosta de você, se importa ou sente alguma coisa diferente em relação a você. Ela não vai conseguir ficar sem olhar para trás sabendo que você vai está lá.
Victor se virou. Fazendo com que a gota de esperança que eu tinha no meu peito se multiplica. O homem que estava quase passando pela porta, voltou o seu corpo para mim e começou a andar em minha direção. Meu peito subia e descia em um ritmo rápido e completamente instável enquanto milhões de pensamentos surgiam em cada passo.
Ele parou na minha frente e eu olhei para ele esperando que ele dissesse alguma coisa. Eu já estava começando a fechar os olhos quando ele se inclinou para frente, mas voltei ao meu estado normal quando ouvir o cintilar de chaves.
— Eu quase me esqueci! — Ele disse com um sorriso enquanto levantava as chaves da sua casa para que eu pudesse ver. Engolir em seco quando o mesmo se afastou e voltou a andar em direção a porta. Passando por ela sem sequer se dar ao trabalho de olhar para trás.
Uma lágrima solitária desceu escorrendo pelas minhas bochechas e eu enxuguei ela na mesma hora. Eu não merecia isso, não merece chorar por ele e nem por causa desse amor. Mas era melhor um amor complicado do que passar o resto dos seus dias sozinha, sem ninguém.
Coloquei a mochila nas costas e dei um sorriso tristonho dos meus próprios pensamentos enquanto me dirigia até a saída da sala.
[...]
Eu não sabia o que eu estava fazendo nessa comunidade outra vez. Já que o dono tinha me ameaçado ao dizer que eu estaria careca na próxima vez que o visse. Contudo, eu não consegui conter a vontade que eu estava de ver a minha irmã de consideração e criação.
— Mas me diz… — Olhei para a minha melhor amiga que ainda estava emburrada por eu ter acordado ela com um pulo nas suas costas — Foi a p**a de mel que te fez apaixonar ou foi o humor sem graça dele?
— Você não era da igreja? — Ela perguntou rindo. Me fazendo revirar os olhos e dando com os ombros enquanto me levantava, caminhando em direção a porta do quarto. Ignorando a pergunta. — E quem foi o m*l informado que disse que nós dois estamos juntos?
Eu não respondi na hora, me dirigi até a cozinha. Abrir a geladeira e abrir um sorriso quando eu vi que tinha torta de limão. Procurei um prato pequeno e uma colher. Me servi de uma fatia e voltei para o quarto.
— O FK! Ele disse que quando ele chegou aqui para trazer o dinheiro do Rato. Você e o Castiel estavam quase se comendo. Então deduzi que estavam juntos e logo depois eu soube que você decidiu passar uns dias aqui… Só confirmou a minha hipótese. — Sentei na cama dela e coloquei um pedaço da torta na mão. Fechando os olhos e passando a língua entre os lábios quando sentir ele se desmanchando na boca.
— Não estamos juntos… Estamos fingindo por causa do B-boy! — Ela disse como se não fosse nada enquanto abria as sacolas com as roupas que o Rato tinha deixado aqui assim que me trouxe para cá. Se eu não tivesse me esbarrado com ele, eu duvido que alguém me deixaria entrar.
— O gostoso que te agarrou no baile? — Perguntei sem dar muita importância para o assunto. Franzi a testa assim que a morena de olhos verdes olhou para mim com a sobrancelha erguida.
— Então você acha ele gostoso, hein?! — Ela disse com uma expressão safada no rosto, suas palavras saíram como se ela tivesse me acusando de alguma coisa. Por esse motivo, não demorou nada para que as minhas bochechas começassem a esquentar.
— Eu disse gostoso? Eu quis dizer escroto! — Disse enquanto segurava um pouco mais firme o prato e me levantava da cama com esperança que ela não tocasse mais no assunto. — Tem nada melhor pra comer nessa casa não? Credo, tô morrendo de fome!
Tentei disfarçar o meu nervosismo e sair do quarto. Voltando para a cozinha e observando o pequeno cômodo com atenção. Sentei na mesa assim que percebi que em cima tinha pão, margarina, queijo, presunto, achocolatado e café.
— Sabe… Se você quiser eu armo você e o B-boy. — Ela disse com um sorrisinho sapeca e eu olhei para ela com uma careta.
— E quem disse que eu quero ficar com ele? — Respondi enquanto dava com os ombros e ela me olhou como se mandasse eu deixar de fazer show — Ok! Ele é gostoso, mas isso não vai me fazer esquecer o fato dele achar que pode ter a mulher que quiser. O lado machista dele fez eu perder todo o encanto.
Isso não deixa de ser verdade. O fato dele ter beijado a Elisa sem pedir permissão e ter ido atrás dela quando a mesma reagiu, só mostra que ele é o tipo de homem que não sabe receber um não e que acha que tem todas as mulheres na palma de sua mão.
— Eu tenho que concordar. Mas nem pra pegar e largar? — Perguntou com uma insistência nítida na voz e eu dei risada negando com um gesto de cabeça — Pensei que tinha achado ele lindo.
— Eu achei! Mas meu cabelo é muito mais… — Ela deu risada, mas eu estava falando sério. Ele já ameaçou uma vez, quem me garante que ele não vai tá com uma máquina de corta na mão a minha procura assim que descobrir que eu pisei no seu morro outra vez — E como tá o Gabriel com toda essa história de você e Castiel?
Perguntei cortando o um pão de sal e começando a passar margarina nele, coloquei queijo e presunto. Olhando para a minha amiga assim que eu reparei que ela não tinha respondido.
— Bom… — Ela começou e eu arregalei um pouco os olhos assim que decifrei a resposta no seu olhar.
— Você não contou para ele que está aqui? — Perguntei como se achasse isso um absurdo. Ela negou com a cabeça e eu bufei — Elisa! O Gabriel é um cara legal, eu amo o meu irmão. Mas ele não merece isso…
— Eu sei, eu sei. Mas a gente nem tem nada sério! — Ela apontou o óbvio e eu olhei para ela como se perguntasse se ela estava falando sério.
— Mas o Gabi tá te levando a sério, ele nem fica mais com ninguém lá na faculdade — Sou super a favor das pessoas solteiras que ficam com quem elas quiserem. Mas a partir do momento em que uma das partes não deixa claro que é só uma "ficada" para mim já virou uma s*******m. Ela curvou os lábios em um sorriso bobo e eu estreitei os olhos desconfiada — Tu gosta dele, né?
— Eu acho que sim! — Ela disse em um tom apaixonado e eu coloquei a mão na boca para abafar o gritinho que eu dei.
— Mas e o meu irmão? Não tá rolando nada mesmo? — Perguntei como quem não queria nada. Mordendo o meu pão despreocupada com a resposta, que na minha mente já sabia qual era.
— Ele é só o meu melhor amigo, Mari! — Ela fala isso por que não imagina quantas vezes eu já escutei o Rato dizendo que o sonho da vida dele era pegar ela. Contudo, morria de medo de estranhar a amizade.
— Falando de mim? — Escutei a voz do meu irmão e na mesma hora uma careta se formou no meu rosto. Não demorou mais do que alguns segundos para que eu pudesse enxergar suas costas enquanto ele abria a geladeira.
— Estávamos conversando sobre a pegada do Gabriel. Na verdade. Elisa disse que foi o melhor beijo da vida dela. — Provoquei o meu irmão que me encarou como se a qualquer momento fosse dar um tiro na minha testa. Ele riu sem humor enquanto passava a linha suavemente pelos lábios molhados e se virava para ela.
— A Foi? — Perguntou de forma sarcástica — Foi a melhor transa também?
— Sim! Não foi?! — Perguntei animada enquanto olhava para Elisa. Mas o meu sorriso foi esmorecendo quando percebi a forma que ela me olhava. Encarei o meu irmão que estava com um sorriso malicioso no rosto antes de ter certeza do que tinha acontecido — Ai meu Deus! Vocês transaram?!
O impacto nas minhas palavras foi tão grande que fez com que o Rato cuspisse a água em mim e começou a se engasgar com o que sobrou na sua garganta. Eu olho para o mesmo com raiva e na mesma Elisa dá uma gargalhada.
— Droga, Rato! Vai se fuder né? Eu estava arrumada pra sair… — Choraminguei quando percebi que a minha roupa estava quase toda molhada e ele revirou os olhos.
— Para de drama, guria! Nem molhou direito — Ele respondeu como se eu fosse fresca e eu abri um sorriso cínico enquanto olhava para ele.
— Pois molhada, você tem que deixar a Elisa e não a mim. Seu babaca! — Elisa arregalou os olhos e o meu irmão abriu um sorriso safado enquanto olhava para ela de cima a baixo. Eu não tenho inveja da minha amiga, mas confesso que séria bom ter alguém que me olhasse da forma que o Rato olhava para ela.
— A Mari quer ficar com o B-boy — Ela goleou o café. Enquanto meu irmão fechava o sorriso na mesma hora e eu olhava para ela com os olhos arregalados.
Linguaruda de merda!
— Nem pensar! — Ele ordenou enquanto colocava as mãos apoiadas no balcão e eu revirei os olhos entediada.
— Você não manda em mim, Castiel! — Chamei pelo nome para ele perceber que eu não estava brincando. Mas ao contrário da reação que eu queria. Ele apenas colocou um sorriso debochado no rosto.
— Mas o seu pai manda! — Retrucou e eu abrir a boca como se estivesse abismada com o que ele acabou de falar. Pra que serve irmão se não for para atormentar nossas vidas?
— Vai latir pra sua dona e me deixa em paz, beleza? — Eu cruzei os braços sobre o peito e me virei agora à frente. Olhando para Elisa com uma cara de poucos amigos enquanto era retribuída com um sorriso de quem sabe que pisou na bola.
Eu fiquei mais um tempo com a Elisa e o Rato. Mas como todas as vezes que eu e ele ficamos no mesmo lugar, desde que saímos da barriga de minha mãe, acabamos discutindo. Eu não tinha mais aula na faculdade, mas a desculpa que eu dei foi essa quando o Victor me mandou uma mensagem para encontrar ele com o endereço.
Eu me despedi da Elisa depois de uma longa tarde juntas e comecei a descer o morro com a mochila nas costas. O clima estava frio, mas isso não impediu que algo dentro de mim se acendesse quando vir o mesmo homem do baile parado um pouco a frente. Eu tentei passar despercebida, mas o meu tropeço acabou de vez com a minha tentativa.
— Ala, a doida do celular! — Ele comentou rindo enquanto soltava a fumaça do seu baseado na minha direção. Eu curvei meus lábios em um sorriso falso. — Pensei que eu tinha sido bem claro quando disse que não queria você aqui.
— Deveria ter pensado nisso antes de trazer o meu irmão. Gêmeos não conseguem ficar muito tempo separados — Eu disse com sarcasmo, o mesmo riu com descrença da minha resposta e se desencostou da parede.
— Eu não gosto de gracinhas! Se me responder assim de novo. Sua cabeça vai sair rolando pelo morro. — Ele disse enquanto se aproximava de mim. Eu engoli em seco quando comecei a me sentir intimidada com a sua presença — Sacô?! Ratinha!
— O meu nome é Maria! — Eu disse entre os dentes e me virei para ele, encarei os seus olhos ameaçadores por um segundo antes de abrir um sorriso sonso — E eu entendi perfeitamente…
Ele desceu o seu olhar para a minha camisa molhada. Fazendo com que eu franzisse a testa quando ele colocou um sorriso pervertido no rosto.
— Gostei do sutiã! — Ele disse como se não fosse nada e eu arregalei os olhos, olhei para baixo e percebi que a minha blusa branca estava transparente e boa parte do meu sutiã rosa estava aparecendo — É magrinha, mas dá pro gasto.
Eu coloquei a mão na frente para tentar esconder o meu corpo. Por sorte o meu peito era bem pequeno. O mesmo deu risada quando eu olhei para ele com uma expressão de quem estava pronta para a luta. Ele colocou o cigarro de volta na boca para dar uma tragada.
— A gente se ver, Ratinha! — Ele diz e sai andando como se nada tivesse acontecido.
— O meu nome é Maria! — Eu esbravejei irritada e escutei a risada do mesmo que me fez bufar e seguir o meu caminho em direção ao Victor.