Manuela narrando O clima na cozinha mudou no exato momento em que o nome "Lurdes" saiu da boca da minha mãe, o ar parecia ter sido sugado do cômodo, deixando apenas o som da respiração pesada do Gabriel, eu o conhecia, conhecia cada contração daquela mandíbula travada, cada centelha de ódio que dançava nas pupilas dele, quando ele ouviu o nome, os punhos dele se fecharam com tanta força que as juntas estalaram, ele já ia girar nos calcanhares, pronto para ganhar o mundo, pronto para caçar esse fantasma nem que precisasse colocar o Rio de Janeiro abaixo ainda naquela noite. Mas eu não ia deixar, não hoje. — Gabriel, para! — segurei o braço dele, sentindo o músculo rígido como ferro. — Aonde você pensa que vai com esse sangue nos olhos? — Atrás dela, Manuela! — ele rosnou, e a voz dele

